Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Retomada virá com reforma da Previdência

Mercado imobiliário se mostra otimista sobre recuperação econômica do País, se mudanças forem aprovadas

Eliane Sobral e Júlia Zillig, ESPECIAIS PARA O ESTADO

25 de abril de 2019 | 06h00

Um dos eventos mais aguardados do ano pelos principais agentes do setor, a edição 2019 do Summit Imobiliário trouxe duas importantes indicações para a economia brasileira. A primeira é que, apoiado em alguns sinais de recuperação, o otimismo está voltando ao mundo dos negócios. Por outro lado, uma retomada efetiva e sustentável só será possível com um novo modelo de Previdência Social, na opinião dos empresários e executivos da área imobiliária e do setor financeiro. 

“As vendas foram 26% maiores em 2018 em relação à 2017, e nossa expectativa é que podemos crescer entre 5% e 10% neste ano”, afirmou Basílio Jafet, presidente do Secovi-SP. “A reforma da Previdência vai marcar o destino. Se for uma reforma medíocre, não vai resolver o problema”, completou.

Ainda que seja uma unanimidade entre os empresários, a reforma da Previdência não vai sozinha solucionar problemas estruturais como corte de gastos do governo, expectativa de PIB negativo já no primeiro trimestre do ano e a volta do consumo das famílias, na opinião do economista-chefe da corretora Necton, André Perfeito. “A economia brasileira não está indo bem, e a taxa de juros baixa está encobrindo o problema.”

Solidez

Jair Luiz Mahl, vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, concordou que alguns ajustes precisam ser feitos, mas lembrou que tanto o sistema financeiro quanto o sistema jurídico brasileiros são bastante sólidos e estão preparados para a retomada. “Estamos falando de um setor inovador e as empresas procuram se ajustar às situações de crise.” 

De acordo com Mahl, a Caixa Econômica teve o retorno de 64 mil imóveis, o que mostra que nossos sistema jurídico está adequado. “Não precisamos atestar o sucesso do Minha Casa Minha Vida, mas sim buscar novos caminhos para continuar utilizando o FGTS de forma inteligente”, afirmou.

Gustavo Alejo Viviani, diretor de produtos de crédito e recuperações do Santander, também se disse confiante. “Estamos otimistas, pois os dados de concessão de crédito estão mais fortes. Trabalhamos para inovar e desburocratizar cada vez mais os processos.”

Presente à abertura do evento, o governador de São Paulo, João Doria, lembrou que o setor da construção civil é um dos que mais emprega no País e que, apesar da economia estagnada, apresentou bons resultados ao fim de 2018. “O setor está consciente sobre a importância da reforma da Previdência. Os empresários podem agir com planejamento, inteligência e perspectivas de mercado.”

Paulo Humberg, fundador da startup KeyCash, lembrou que há muita inovação que ainda não chegou ao Brasil e aposta que elas elevarão o mercado imobiliário brasileiro a outro patamar. “Com ou sem governo, nosso mercado vai ser destaque nesse sentido”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.