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Retorno passado não representa o retorno futuro

Como a inflação de determinado período afeta a todos os investimentos da mesma maneira, você pode comparar os diversos títulos pelo rendimento líquido

Fabio Gallo, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 05h00

Como saber quanto eu ganho numa aplicação no Tesouro Direto? Eu apliquei no Tesouro IPCA+ com juros semestrais e não sei exatamente quanto eu vou ganhar para comparar com outros investimentos.

Essas contas exigem conhecimento de matemática financeira, de detalhes técnicos sobre esses papéis e sobre imposto de renda. Mas o importante para nós é entender as diferenças entre a taxa de juros nominal oferecida, o rendimento efetivo e o rendimento real, assim poderemos comparar as alternativas de investimentos. No site do Tesouro Direto são demonstrados todos os cálculos dos títulos e podem ser feitas simulações das aplicações. No site do www.tesouro.fazenda.gov.br, busque pela página “calcule sua rentabilidade”.

Tomemos por exemplo a aplicação no título Tesouro IPCA+ com juros semestrais (NTN-B), o preço de compra é de R$ 2.405,97, com vencimento em 18 de agosto de 2024, sendo oferecida a rentabilidade bruta de 4,79% ao ano, mais a variação de inflação pelo IPCA. Considerando a inflação projetada segundo o boletim Focus, do Banco Central, de 3,78% ao ano, a simulação traz como resultado a rentabilidade bruta de 8,77% ao ano, sendo o valor bruto de resgate R$ 3.678,36. Após descontarmos a taxa de custódia e imposto de renda, temos que a rentabilidade líquida efetiva é de 7,30% ao ano. Para ser obtida a rentabilidade real devo descontar a inflação. Mas para esse cálculo não posso simplesmente subtrair o valor da inflação da rentabilidade liquida, devo dividir na forma de fatores.

Assim, temos (1,073/ 1,0378) - x 100 resultando a rentabilidade liquida e real de 3,3818% ao ano. Como a inflação de determinado período afeta a todos os investimentos da mesma maneira, você pode comparar os diversos títulos pelo rendimento líquido. Mas, nunca tome decisão comparando o os valores brutos

 

Eu tenho R$ 90 mil para investir e estou pensando em colocar num fundo multimercado. Como faço para escolher o fundo? Ou vale a pena eu investir diretamente em papéis?

A primeira decisão a tomar é se você vai criar a sua própria carteira ou se vai aplicar num fundo de investimento. Se você não conhecer razoavelmente de investimentos ou não tiver tempo para se dedicar a investir, aplique num fundo. Investir recursos em fundos custa, particularmente no Brasil, onde as taxas são caras. Mas você poderá contar com uma gestão profissional, diversificação de risco, ganhos de escala, fácil acesso. Para escolher em qual investir, o primeiro passo é definir o seu objetivo. Assim, poderá ter mais firme o nível de risco que está disposto a aceitar. Com essa base pode ser escolhido o produto mais adequado, entendendo que o gestor vai seguir as regras propostas para aquele fundo. Os fundos multimercado são indicados para aqueles que buscam maior rentabilidade, mas sabendo que estão aceitando mais risco. Esse tipo de fundo permite que os recursos sejam investidos em mais de uma classe de ativos, assim, haverá investimento em renda fixa e variável. Todos os fundos cobram taxa de administração pela gestão dos recursos, mas alguns cobram também a taxa de carregamento que é um valor sobre o que está sendo aplicado, além disso há também a taxa de performance. Busque sempre o fundo que oferecer as menores taxas. Não decida somente pelo desempenho passado, mas busque conhecer os indicadores que relacionam risco e retorno. Há diversas publicações que divulgam esses indicadores. Lembre-se: retorno passado não garante retorno futuro.

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