Retração da atividade interna ajudou recorde na balança

Os recordes históricos de US$ 2,5 bilhões no superávit comercial em maio e o de US$ 8,04 bilhões nos cinco primeiros meses do ano foram atribuídos por empresários à combinação de dois fatores. Um, à redução da atividade interna, que possibilitou a disponibilidade de produtos para exportação, e, dois, ao "espetacular" desempenho do setor de agribusiness. "Essa combinação é um fato que está sendo muito bem aproveitado pelo País", disse à Agência Estado o presidente do capítulo brasileiro do Conselho de Empresários da América Latina (Ceal), Carlos Mariani Bittencourt.Indagado se os empresários ligados ao Ceal estavam satisfeitos com o desempenho do comércio exterior, mesmo que a atividade econômica interna tenha se retraído, o executivo, também presidente da Petroquímica da Bahia, respondeu: "Não vamos nos queixar disso. A atividade exportadora está sendo o grande motor para o crescimento do País."Mariani Bittencourt se referiu, à expansão de 2% do PIB no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2002. "Gostaríamos que a própria evolução do setor exportador provocasse a retomada do crescimento econômico brasileiro", esclareceu o presidente do Ceal, logo depois de um almoço privado entre empresários e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.O empresário se mostrou também favorável a uma imediata redução da taxa de juros por parte do Banco Central. Mariani Bittencourt afirmou que os patamares atuais dos juros têm contribuído para a queda do consumo e, certamente, para a queda da renda dos consumidores. "Esses efeitos são visíveis no dia-a-dia", disse. Em decorrência disso, as empresas não ligadas ao setor exportador estão também retraindo a sua produção. "As (empresas) que estão exportando vão muito bem, obrigado. As que não, vejam aí o que está ocorrendo."

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