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Retração de crédito é pior que na crise global

No fim de 2008 e início de 2009, houve uma forte retração, mas no 2º semestre as operações já estavam crescendo

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2016 | 05h00

BRASÍLIA - A retração das linhas de capital de giro desde o início de 2015 chega a ser pior que a situação vista após o estouro da crise econômica global, em setembro de 2008. Isso porque, naquela época, esse tipo de crédito com recursos captados pelos bancos (sem o BNDES) vinha crescendo no Brasil a taxas mensais que chegavam a 7%.

Quando o pânico se instalou nos mercados globais, no fim de 2008 e início de 2009, o saldo de operações de capital de giro chegou a congelar em alguns meses, mas não houve um movimento intenso de retração, como é percebido agora. No segundo semestre de 2009, o saldo das operações de capital de giro já crescia a taxas entre 2% e 4%. “Na metade de 2009, começou a haver melhora no crédito. Isso porque o mercado percebeu que haveria forte crescimento do PIB em 2010, o que de fato ocorreu, e a liberação de recursos melhorou”, diz Ricardo Rocha, professor do Insper.

A recessão econômica que atinge o País desde o início de 2015, aliada à crise de confiança que se instalou em função do processo de impeachment de Dilma Rousseff, tornou os bancos mais seletivos. Em julho deste ano, o saldo das linhas de capital de giro caiu 1,6% ante junho. Desde dezembro de 2014, a derrocada chega a 12,1%. Na prática, o saldo atual de crédito para capital de giro, de R$ 345 bilhões, recuou quatro anos, para níveis de setembro de 2012.

Para tentar desafogar as empresas, o BNDES anunciou em 25 de agosto reforço de R$ 4 bilhões para a linha de capital de giro, com taxas de juros menores para pequenos negócios. Os recursos podem ser acessados pelas empresas tanto via BNDES quanto em outros bancos.

A medida também busca estancar a queda no crédito para capital de giro com recursos do BNDES registrada desde o início de 2015, de 24,2%. Só que o reforço está longe de resolver o problema, já que o crédito para capital de giro com recursos do BNDES está hoje na casa dos R$ 15,7 bilhões – ou seja, muito abaixo dos R$ 345 bilhões do saldo com recursos captados pelos bancos de outras fontes.

Enquanto os bancos não afrouxarem as exigências, o cenário não vai melhorar. Para Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, não há espaço para uma melhora no segundo semestre de 2016, mas para uma “acomodação”. “Esse processo de queda do crédito tem de parar em algum momento.” 

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