Retração do consumo interno explica queda na indústria

A retração do consumo interno foi o principal fator responsável pela queda de 4,2% na produção industrial em abril ante igual mês do ano passado . O chefe do departamento de indústria do IBGE, Silvio Sales, explicou que "as pressões negativas" no mercado doméstico estão "se sobrepondo aos focos de crescimento industrial", como exportações, agroindústria e petróleo. Esses focos de dinamismo da indústria, segundo ele, não têm sido mais suficientes para neutralizar as quedas na produção em segmentos voltados para o mercado interno. Sales destacou segmentos tipicamente voltados para o mercado doméstico que puxaram para baixo a produção industrial em abril, como insumos para construção civil (-14,1%), embalagens (-6,7%) e eletrodomésticos (-14,9%). A retração do consumo interno neutralizou também os efeitos positivos das exportações na produção de automóveis, que caiu 18,2% ante abril do ano passado. Sales disse que a produção industrial provavelmente está respondendo às quedas das encomendas do comércio, prejudicado pela queda no rendimento dos trabalhadores, juros altos e inflação elevada. Maior queda desde dezembro de 2001A queda de 4,2% na produção industrial em abril ante igual mês do ano passado foi a maior nessa base de comparação desde dezembro de 2001 (-6,4%). Silvio Sales, disse que o desaquecimento da atividade industrial é resultado da "redução do consumo interno, queda nos investimentos e efeito calendário". O efeito base de comparação, ou calendário, ocorreu porque abril deste ano registrou dois dias úteis a menos do que igual mês do ano passado e, ainda, em 2002 o mês apresentava um patamar elevado de produção. Ele disse ainda que a desaceleração industrial é confirmada pelo resultado da produção em abril comparativo a março (-0,1%), que apresentou queda sobre uma base de comparação já deprimida, já que em março houve redução de 3,3% na produção ante fevereiro. Todos os produtos foram afetados A redução do consumo doméstico atingiu em cheio o segmento de bens semiduráveis (confecções e calçados) e não duráveis (farmacêuticos e alimentos, por exemplo) em abril. Segundo o IBGE, a queda de 10,6% na produção de bens semi e não duráveis em abril ante igual mês do ano passado foi a maior redução nessa base de comparação para esta categoria desde agosto de 1992. Os produtos que mais contribuíram para a queda foram os farmacêuticos (-25,5%), confecções (-35,7%), calçados (-16,4%) e alimentos e bebidas básicos para consumo doméstico (-13,5%). Ainda em termos das categorias de uso pesquisadas pelo IBGE, houve redução também em bens de consumo duráveis (-13,6%), com destaque para automóveis (-18,2%) e eletrodomésticos (-14,9%), ambos afetados pelas restrições ao crédito. A retração do mercado doméstico reduziu também a produção de bens intermediários (-1,8%), enquanto a queda em investimentos provocou redução no segmento de bens de capital (-6,7%).

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