Tiago Queiroz
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Mais pessimista, mercado agora projeta retração de 2,97% da economia neste ano

Para a inflação, Relatório Focus aumentou a estimativa do IPCA para 9,70% em 2015 e para 6,05% em 2016

CÉLIA FROUFE, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2015 | 09h37

O Relatório de Mercado Focus, do Banco Central, mostrou nesta semana mais uma queda forte das previsões para o Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com o documento que reúne a projeção de cerca de 120 analistas para as variáveis macroeconômicas, a perspectiva de retração da economia este ano passou de 2,85% para 2,97% - um mês antes estava em queda de 2,55%. Para 2016, a mediana das previsões saiu de -1% para -1,20%. 

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% sua estimativa para a retração econômica deste ano.

Depois da melhora na semana passada, o boletim Focus de hoje trouxe uma forte deterioração da projeção para a produção industrial, que saiu de uma baixa de 6,50% para um recuo de 7%. O mesmo ocorreu com a perspectiva para 2016: a mediana das estimativas passou de uma queda de 0,29% para uma baixa de 1,00%.

Inflação.O IPCA de setembro veio em linha com as expectativas e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse, no Peru, que está comprometido com a meta de 2016 a 15 meses de distância da data. Mesmo assim, as previsões no Relatório de Mercado Focus voltaram a subir. Segundo o documento, a mediana para a inflação de 2016 passou de 5,94% para 6,05%. Esta foi a décima elevação consecutiva. Já as projeções para a inflação deste ano subiram de 9,53% para 9,70%.

As projeções para os preços administrados ainda encontram espaço para subir. Segundo o documento, a mediana das previsões para esse conjunto de itens no ano que vem passou de 6% para 6,27%. Para 2015, as estimativas do mercado financeiro para os preços administrados foram ajustadas de 15,55% para 16% de uma semana para outra.

Para a inflação de curto prazo, a estimativa para outubro passou de 0,53% para 0,65%. Já a de novembro, passou de 0,55% para 0,57% de uma semana para outra.  

O mau humor com o comportamento da inflação não é uma prerrogativa apenas para o curto prazo - 2015 e 2016. As projeções também pioraram para 2017 e 2018. O levantamento mostrou que a mediana das projeções para o IPCA de 2017 subiu de 4,86% para 5% de uma semana para outra, distanciando-se ainda mais do centro da meta de 4,50% determinado para o ano.

No caso de 2018, o avanço foi ainda maior: saiu de uma taxa de 4,54% para 4,70% nesse mesmo intervalo de tempo. Para 2019, a mediana das expectativas seguiu em 4,50%.

Juro. O mercado financeiro revisou para cima suas expectativas para o comportamento da Selic no ano que vem. A mediana passou de 12,50% ao ano para 12,63% aa, o que revela uma divisão entre os participantes da pesquisa entre uma taxa de 12,50% e de 12,75% no encerramento do ano. Para este ano, os analistas deixaram suas projeções para a Selic inalteradas. A mediana permaneceu em 14,25% ao ano pela 11ª semana seguida, assim como a mediana para a Selic média de 2015, que continuou em 13,63% ao ano pelo mesmo período. 

Setor externo. O setor externo é a válvula de escape do Relatório de Mercado Focus, que trouxe apenas piora das previsões. De acordo com o documento, a mediana das estimativas para o superávit da balança comercial de 2016 subiu de US$ 24 bilhões para US$ 25 bilhões de uma semana para outra. Para 2015, o ponto central da pesquisa foi ajustado de US$ 12 bilhões para US$ 12,99 bilhões de uma semana para outra.

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