Clayton de Souza/Estadão
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Retração do setor automotivo causa perda de R$ 16 bi para o governo, diz Anfavea

Queda nas vendas do setor em 2015 reduz arrecadação de impostos, segundo o presidente da associação; valor corresponde à metade do que o governo pretende arrecadar com CPMF

André Ítalo Rocha, O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2015 | 11h47

SÃO PAULO - A queda das vendas do setor automotivo em 2015 causa uma perda de R$ 16 bilhões em arrecadação para o governo federal, disse nesta terça-feira, 20, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, com base em levantamento feito pela entidade.

"Para se ter uma ideia, esse valor representa metade do que o governo espera arrecadar com a volta da CPMF em 2016 (em torno de R$ 32 bilhões)", afirmou o executivo, que participa de congresso com líderes do setor automotivo em São Paulo. 

Ele voltou a negar que o incentivo fiscal para o setor gere distorções no mercado. "Cada ponto de redução de imposto é repassado para o consumidor", explicou.

Acordo. Moan também comentou o andamento das negociações do acordo comercial com a Colômbia. De acordo com o executivo, o acordo deve ser assinado em novembro. "Com isso, as montadoras já devem começar a exportar para lá no fim deste ano", prevê.

Segundo Moan, a Colômbia importa hoje cerca de 300 mil veículos por ano e o Brasil participa deste mercado com apenas 8 mil unidades. "Nossa penetração é baixíssima. Com o acordo, esperamos elevar nossa participação para 12 mil no primeiro ano, 25 mil no segundo ano e 50 mil a partir do terceiro ano", estima o executivo.

De acordo com o presidente da Anfavea, os veículos brasileiros têm pouca penetração na Colômbia porque têm uma alta taxação, em torno de 16,5%. O acordo prevê um comércio livre de impostos. Segundo Moan, a Colômbia é o terceiro maior mercado da América do Sul. 

Caminhões. O presidente da Mercedes-Benz no Brasil, Phillipp Schiemer, que participa do mesmo congresso, disse que, em condições normais, o País poderia repetir o patamar de vendas de caminhões observado em 2011, de 160 mil unidades, no futuro. "Não é um número fora da realidade e pode ser atingido", afirmou.

Este ano, porém, a realidade está longe disso. No acumulado de janeiro a setembro a venda de caminhões alcançou 99 mil unidades no País, contra 111 mil unidades em igual período de 2011. "Desde então as condições pioraram muito", lamentou o executivo, ressaltando que a crise política tem impedido uma recuperação da economia. "O cenário político atrapalha. Temos de ter mais estabilização", declarou.

Schiemer disse ainda que acredita em um "futuro melhor" para o Brasil, mas, para isso, "tem de haver solução política". "Enquanto isso, não vamos ficar parados, vamos continuar produzindo, para estarmos prontos quando a situação melhorar", afirmou.

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