Retraimento do consumo poderá se prolongar

Confirmam-se a menor disposição para consumir e o aumento do endividamento dos consumidores, segundo pesquisas divulgadas entre sexta-feira e ontem pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e o Banco Central (BC). O que se nota é que, com uma única exceção - a dos dados menos desfavoráveis da FGV -, consolida-se uma tendência de retraimento do mercado de consumo, e é possível que ela não diminua nos próximos meses e se estenda para 2014.

O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2013 | 02h04

Entre junho e julho, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 6,3%, e entre julho de 2012 e julho de 2013, caiu 14%, para 122,4 pontos, segunda menor pontuação desde agosto de 2009, pelos dados da Fecomercio-SP. Já a CNC projeta um crescimento de apenas 4,5% das vendas varejistas, no Natal deste ano, ante 8,1%, em 2012.

Pelo sexto mês consecutivo, segundo o Banco Central, cresceram as dívidas da população em relação à renda - de 44,52%, em maio, para 44,82%, em junho. Já o comprometimento mensal da renda com o pagamento das dívidas passou de 21,50% para 21,52%.

Como exceção surge o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela FGV: entre julho e agosto, após três meses de queda, o ICC cresceu 4,4%. A economista Viviane Seda, da FGV, notou que as perspectivas melhoraram para os próximos meses. Passou o momento em que as manifestações populares influenciaram muito a disposição de compra, mas, apesar da recuperação, o indicador ainda é bem inferior à média dos últimos anos.

Juros em alta, queda do poder aquisitivo e inflação explicam a cautela dos consumidores. Ontem, a pesquisa Focus, feita pelo BC, mostrou uma piora generalizada das expectativas de inflação neste ano. A desvalorização do real adicionou preocupação com os preços, pois pressiona o custo dos importados. Além disso, a indexação atinge a maior parte dos itens consumidos pela classe média, segundo a Ordem dos Economistas do Brasil.

Mas ainda mais importante para as decisões de consumo é a situação do mercado de mão de obra, já em desaceleração. Há uma defasagem entre o enfraquecimento da economia e a deterioração do mercado de trabalho, alertou o economista Claudio Adilson Gonçalez, em artigo publicado ontem no Estado. O enfraquecimento do emprego poderá ser o calcanhar de aquiles da economia no ano que vem.

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