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'Retrospectiva' 2015

Eram tão sombrias as perspectivas para a economia em 2015 que, no fim do ano, os resultados relativamente fracos até puderam ser comemorados como positivos. Apesar do crescimento econômico mais uma vez abaixo de 1%, não ocorreu a recessão que muitos chegaram a prever e a inflação, repetindo o ano anterior, fechou perto do teto, mas dentro do intervalo da meta.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2015 | 02h03

Tarifas de ônibus e de energia elétrica, além de impostos e taxas, como o IPVA e o IPTU, estiveram por trás das altas do IPCA, que levaram o índice a bater perto de 7%, nos primeiros meses do ano. Mas a moderação da demanda e do crédito ajudaram a compensar os ajustes. Assim, aos poucos, os índices passaram a ceder.

Como previsto, a taxa de desemprego aumentou, mas não a ponto de configurar uma virada preocupante. Com redução do ritmo de criação de vagas no mercado formal, seguindo a direção já apontada no ano anterior, o desemprego, agora medido pela mais abrangente Pnad Contínua, não passou de 8%, mostrando que o mercado de trabalho, se bem que mais precário e com mais informalidade, continuou resistente.

Esses resultados, melhores do que os projetados no início do ano, foram em parte possíveis por uma reversão moderada na trajetória dos déficits externos. As cotações das commodities continuaram contidas, por causa da desaceleração da China e da estagnação da Europa e do Japão. Fazendo valer sua maior produtividade, o setor agropecuário ainda assim sustentou parte das receitas de exportação, enquanto os gastos com importação cresceram em ritmo menos acentuado.

Ao mesmo tempo, a desvalorização do real - com menor intervenção do Banco Central, o real se desvalorizou 5% ante o dólar, no ano - e a recuperação da economia americana elevaram as exportações brasileiras. Vale destacar que a retomada das altas de juros nos EUA, iniciada em meados do ano, mas com cuidadoso gradualismo, acabou produzindo menos tumultos nos mercados emergentes do que o imaginado.

Além de ajudar com alguns pontinhos para a expansão da economia, o superávit comercial que sucedeu o incomum déficit do ano anterior - o primeiro desde 2000 - contribuiu também para estancar a deterioração da conta em transações correntes. No fim do ano, o déficit externo ficou em 3,5% do PIB, nível menos desconfortável que o de 3,9% do PIB no ano anterior. Ao mesmo tempo, o fluxo de investimentos diretos externos manteve o ritmo dos últimos anos, ou seja, não desceu a menos de 2,5% do PIB, e continuou a responder pela cobertura de três quartos do déficit externo.

Nova prioridade declarada da política econômica, o esforço para reequilibrar as contas públicas andou no passo prometido pelo governo, apesar das dificuldades políticas para cortar gastos e retirar subsídios. A meta de superávit primário de 1,2% foi alcançada e a escalada da dívida pública bruta contida.

Mais do que isso, a transparência perdida na condução da política fiscal começou a ser recuperada, embora a retomada da confiança na ação do governo tenha sido insuficiente para impulsionar, na escala requerida, os investimentos produtivos. Confirmaram-se as dificuldades para retomar os investimentos, depois de um recuo forte no ano anterior, principalmente em infraestrutura, muito em razão da paralisia que afetou a Petrobrás e as grandes construtoras nacionais, envolvidas em escândalos de corrupção.

Tudo considerado, ficou um saldo moderamente positivo para o ano que vai se iniciar. Ainda não é o caso de esperar números exuberantes, mas o caminho da retomada de um crescimento mais robusto com inflação cadente deu sinais de que começou a ser trilhado.

* * *

As "projeções" desta "retrospectiva" do ano que está começando são intencionalmente otimistas, mas não irrealistas. É um modo de transmitir uma mensagem de crença renovada na capacidade de enfrentar desafios e superá-los. Feliz 2015!

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