Reunião com europeus sobre carne foi 'cordial', diz Stephanes

Segundo ministro, encontro foi 'muito bom para desfazer o mal-estar que estava havendo' entre o bloco e o País

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

17 de outubro de 2007 | 18h20

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que a reunião que teve nesta quarta-feira, 17, com membros da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu foi "pesada, mas cordial". A deputada irlandesa Mairead McGuinness participou do encontro, realizado em Bruxelas. Stephanes falou com a imprensa brasileira, pelo sistema viva-voz, de Frankfurt, na Alemanha. Os pecuaristas irlandeses, que têm feito uma pesada campanha contra a carne brasileira, querem a suspensão das importações do produto do Brasil alegando que os lotes poderiam "carregar" o vírus da febre aftosa e, dessa maneira, colocar em risco o rebanho local.Na reunião, Stephanes e técnicos do governo brasileiro refutaram as críticas feitas pela Irlanda. "Foi um encontro muito bom para desfazer o mal-estar que estava havendo", disse. O ministro explicou que a reunião foi "pesada" porque o "clima é de muita crítica por parte da Irlanda e também por parte do presidente da comissão, que é inglês". Ele refere-se ao deputado Neil Parish. "Eles estão sofrendo pressão dentro da Inglaterra e da Irlanda. A reunião foi pesada, mas depois da apresentação de cada um dos pontos de vista, ela terminou bem", disse.Ao final do encontro, Stephanes convidou os parlamentares a conhecer o sistema brasileiro de produção de carnes. De acordo com o ministro, eles podem escolher visitar qualquer um dos 82 frigoríficos ou qualquer uma das 20 mil propriedades habilitadas a exportar carne bovina para a União Européia. "Respeito a posição dos parlamentares e entendo que as restrições às importações de carne brasileira são motivadas por razões de mercado. Mas garanto que o Brasil tem um sistema rígido de defesa sanitária e estamos cumprindo todas as exigências da União Européia", disse. Embargos Stephanes disse também que não acredita na possibilidade de a Europa embargar as compras de carne brasileira. Uma missão técnica da União Européia chega ao Brasil no mês que vem e os parlamentares europeus virão ao País em abril do próximo ano. "O Brasil está trabalhando direito e isso foi reconhecido. Nós temos condições de cumprir todas as exigências", afirmou. Para ele, o convite feito aos parlamentares tem como objetivo "evitar ou diminuir as pressões políticas e comerciais". "Agora ficou muito claro que o Brasil é transparente e tem suas portas abertas. Quem quiser nos visitar não precisa enviar missões clandestinas", afirmou. O ministro também esclareceu que a União Européia não exigiu a rastreabilidade total do rebanho brasileiro, ou seja, a certificação de animais criados em fazendas localizadas em regiões que não têm autorização para venda de carne para o bloco. "Os europeus exigem que fazendas que exportam não recebam gado de fazendas que não exportam. As fazendas que exportam só podem receber gado das fazendas que estão no sistema de rastreamento", explicou. "Eles não aceitam o trânsito de animais de áreas não liberadas para áreas liberadas", completou. Stephanes comentou que não tratou, nas reuniões com autoridades européias, sobre a possibilidade de redução da tarifa aplicada pela União Européia para as importações de etanol brasileiro. O ministro comentou também que o comissário disse que o Comissário de Saúde e Proteção ao Consumidor da União Européia, Marcus Kyprianou, não tinha mudado de posição em relação à carne brasileira. "Ele disse que as exigências existem, mas que o Brasil está trabalhando na direção correta para atender a todas as exigências." Stephanes comentou que as exigências feitas pela UE foram ou serão cumpridas dentro do prazo, o que tornará o Brasil cada vez mais competitivo no mercado internacional. "Nós não vamos contestar nenhum excesso de exigência", afirmou. Kyprianou reconheceu os grandes avanços feitos pelo Brasil. "Ele deixou claro que não vê razões para o embargo da carne brasileira, pois ela não coloca em risco o consumidor europeu", afirmou o ministro. O ministro reafirmou que deu garantias de que o plantio da soja não ameaça o meio ambiente e é feito de maneira sustentável. O Brasil é um país de imensos espaços territoriais, com 850 milhões de hectares. A soja é plantada em apenas 3% da área cultivada no Brasil. O País, disse ele aos europeus, adota medidas que garantam a sustentabilidade da produção. "Há uma grande desinformação em relação às dimensões do Brasil e sobre aquilo que se faz no Brasil", finalizou.

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