Reunião da OMC em Montreal é "última esperança"

"A última esperança". É assim que diplomatas na Organização Mundial do Comércio (OMC) estão classificando a reunião entre ministros de 26 países, entre eles o Brasil, que começa amanhã em Montreal e que, para muitos, definirá se a Conferência Ministerial da OMC, em Cancun, em setembro, representará mais um fracasso da entidade máxima do comércio. Cancun terá a função de definir, entre outras coisas, qual será o ritmo que se adotará para a liberalização do mercado agrícola mundial. Além disso, os países terão que encontrar uma posição comum sobre investimentos, concorrência, acesso à remédios e compras governamentais. O que preocupa, porém, é que não existe sequer um sinal político de acordo emnenhum desses itens, o que poderá atrasar o final das negociações, previsto para 2005. "Esperamos ver em Montreal governos dando sinais de que estão dispostos a tomar iniciativas concretas para fazer com que a negociação avance", afirmou o diretor da OMC, SupachaiPanitchpakdi. Mas ao deixarem a sede da OMC, em Genebra, para areunião no Canadá, o pessimismo dos negociadores em relação às conversas era explícito. Carlos Perez del Castillo, embaixador uruguaio e presidente do ConselhoGeral da OMC, admite que as negociações agrícolas podem fracassar em Cancun. "Se isso de fato ocorrer, não acredito que teremos um final das negociações antes de 2007", afirmou um embaixador africano. "A falta de uma decisão em Cancun sobre o rítmo da liberalização agrícola significará que acumularemos trabalho e que teremos apenas até o final de 2004 para entrar em um acordo sobre a velocidade da queda dos subsídios, das tarifas para os produtos e dostratamentos especiais para os países emdesenvolvimento. Com uma agenda cheia como essa, não acredito em uma solução em 2005", alerta um diplomata latino-americano que está em Montreal. Para Brasil, o que está em jogo em todo esse processo é o compromisso inédito que os países haviam acertado, em 2001, de colocar desenvolvimento no centro da agenda comercial. O governo lembra que a luta por regras que dêem a possibilidade de crescimento para os países pobres se confunde com a própria história do sistema internacional do comércio. A diferença é que,desta vez, os países prometem não assinar qualquer tipo de acordo que não preveja ganhos em setores como o agrícola.

Agencia Estado,

27 Julho 2003 | 14h28

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