Reunião da OMC no Egito gera críticas

A reunião de 30 países no Egito para tentar desbloquear as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) está gerando duras críticas por parte dos demais governos que fazem parte da entidade e que não foram convidados para o encontro. Para muitos, o encontro de Sharm El-Sheik prova que o processo decisório da OMC é pouco transparente. Um dos países mais críticos ao sistema é a Argentina, que não foi convidada para a reunião e que garante que mesmo a presença brasileira no Egito não significa que seus interesses estejam sendo representados. "Aquí cada governo negocia de forma separada. Não se trata do mesmo processo da Alca, onde temos uma coordenação com o Mercosul", afirma o embaixador argentino na OMC, Alfredo Chiaradia. Uma das principais críticas feitas por organizações não-governamentais é que ninguém sabe dizer exatamente qual o critério usado para selecionar os trinta países. Além disso, ninguém sabe dizer exatamente quem os escolhe. Há cerca de três meses, a OMC realizou uma reunião similar no Japão e, na ocasião, o governo dos Estados Unidos teria impedido que Tóquio convidasse alguns países, como Noruega, para o evento. "Onde está a transparência nesse processo", reclama o embaixador de Buenos Aires. Para a Argentina, a reunião de Sharm-El Sheik é "contraprodutiva". "Para os mais de cem países que ficarão de fora, o fato de serem excluídos já é motivo para que se neguem a aceitar as decisões tomadas pelos países no Egito, sejam elas quais forem", completou o diplomata.

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