Reunião de ministros europeus deve frustrar mercados

Autoridades devem avançar pouco na reforma do fundo de resgate da Europa, elevando seus recursos a € 500 bilhões, longe do € 1 trilhão esperado pelos investidores 

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

29 de novembro de 2011 | 19h53

Os ministros de Economia da zona do euro se preparavam para responder no final da noite de ontem, em Bruxelas, apenas à menor das expectativa dos mercados financeiros. Entre as medidas a serem anunciadas devem constar a liberação de uma parcela de € 8 bilhões do primeiro pacote de socorro à Grécia - um total de € 110 bilhões -, o que permitirá ao país evitar a bancarrota em dezembro. Mas os ministros devem avançar pouco na reforma do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), elevando seus recursos a € 500 bilhões, longe do € 1 trilhão esperado pelos investidores.

As decisões estão em discussão na noite desta terça-feira. Os ministros dos 17 países do Eurogrupo - o fórum de ministros da zona do euro - encontram-se reunidos em Bruxelas. A deliberação mais imediata foi a liberação da nova parcela do primeiro empréstimo à Atenas, depois que o primeiro-ministro, Lucas Papademos, obteve as cartas de compromisso dos maiores partidos do país com a política de austeridade fiscal em curso. A parcela de € 8 bilhões permitirá ao país saldar suas dívidas com vencimento até 15 de dezembro.

No entanto, a decisão mais importante caminha para um acordo parcial. Desde 27 de outubro, investidores e analistas econômicos esperavam o aumento dos recursos do FEEF, que hoje dispõe de € 440 bilhões, dos quais € 250 bilhões para empréstimos bilaterais a países em crise. O volume é insuficiente caso seja necessário socorrer economias como a da Itália e a da Espanha. A expectativa era de que as maiores potências europeias, lideradas por Alemanha e França, concordassem em elevar os recursos do fundo a € 1 trilhão, o que não deve acontecer, segundo as autoridades envolvidas nas negociações.

Antes mesmo da reunião, Klaus Regling, diretor-geral do FEEF, reconheceu que obter um acordo sobre o tema seria difícil. Segundo o ministro de Finanças da Bélgica, Didier Reynders, o objetivo da reunião era chegar a "um mecanismo tão poderoso quanto possível". "O FEEF não poderá sozinho resolver todos os problemas", reconheceu o ministro de Luxemburgo, Luc Frieden, ponderando: "Será difícil de atingir o objetivo fixado no início porque as condições de mercado mudaram claramente". Até o meio da noite, o valor evocado em Bruxelas para o FEEF é de no máximo € 500 bilhões.

Para enfrentar o vazio deixado pelo fundo, uma das propostas em negociação envolvia o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo essa alternativa, o BCE poderia passar a imprimir moeda e emprestar ao FMI, que então realizaria empréstimos bilaterais aos países europeus em crise. "Nós devemos considerar o FMI", defendeu o ministro holandês de Economia, Jan Kees de Jager. "O BCE é uma instituição independente. Nós vamos colocar as opções sobre a mesa e caberá a eles assumir as decisões." 

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