Reunião do BNDES na Bolívia não teve conotação política

O presidente do BNDES, Demian Fiocca, declarou nesta terça-feira que a perspectiva de concessão de financiamento para negócios de empresas brasileiras na Bolívia se insere na política do governo, e do próprio banco, de ampliação de relações comerciais entre o Brasil e outros países. Além disso, ele disse que as garantias para os financiamentos "são consistentes" e não há risco.Segundo Fiocca, a visita de representantes do BNDES à Bolívia foi agendada no mês passado. Antes, portanto, da reunião realizada entre os presidentes Lula e Evo Morales, em Caracas, na Venezuela. Segundo ele, o superintendente da área de exportações do banco, Luiz Antonio Araujo Dantas, participou da missão à Bolívia organizada pelo Ministério das Relações Exteriores "para fomentar relações econômicas de mútuo interesse".Na agenda, havia dois casos específicos de oportunidade de negócios para empresas brasileiras: a aquisição de tratores pelo governo boliviano e a construção de uma rodovia naquele país. No caso dos tratores, o negócio seria de US$ 25 milhões. No que diz respeito à rodovia, os valores ainda estão indefinidos.""O BNDES foi conhecer as regras da concorrência para vir a apoiar empresas brasileiras que sejam vencedoras. Se forem", salientou o presidente do banco. Segundo ele, a visita à Bolívia segue o exemplo de outras missões recentes, como as realizadas em junho último ao Uruguai e à Argentina. "Não há uma ação específica em relação à Bolívia", afirmou Fiocca, acrescentando que "não tem nenhuma conotação de preferência política".Hoje, o banco tem financiamentos contratados na América do Sul com a Argentina, Chile, Equador, Paraguai, Venezuela e República Dominicana, no valor total de US$ 1,3 bilhão. Deste total, US$ 954 milhões já foram liberados até março.Indagado se não há risco de inadimplência do governo boliviano em possíveis financiamentos para compra de bens e serviços de empresas brasileiras, Fiocca reiterou várias vezes que a operação, se realizada, será segura. Segundo ele, o Convênio de Crédito Recíproco (CCR) é uma garantia entre os Bancos Centrais dos países envolvidos no financiamento e possibilitou ao BNDES que não houvesse nenhum registro de inadimplência em operações similares nos últimos 15 anos."O CCR é um mecanismo irrevogável. O histórico dessa garantia, mesmo trabalhando com países de oscilação política, é de grande segurança", afirmou. Fiocca disse também que "o BNDES está afinado com a visão geral do governo brasileiro que temos que construir relações com países de maneira positiva" e que "a alternativa de hostilização seria equivocada".Ele citou como exemplo o bom relacionamento entre o Brasil e a Venezuela no momento em que outros países latino-americanos hostilizavam aquele país, e disse que a iniciativa brasileira acabou por ampliar os negócios com os venezuelanos.Fiocca negou com veemência que um possível financiamento do BNDES a negócios brasileiros na Bolívia possa ser usado como moeda de troca na negociação em curso do preço do gás boliviano fornecido ao Brasil. "Obviamente não é de maneira nenhuma uma moeda de troca".

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