EFE/Michael Reynolds
EFE/Michael Reynolds

Reunião do G-7 começa em clima de ‘racha’

Tarifas de importações impostas pelo governo Trump uniram os seislíderes europeus em um discurso duro contra o isolamento americano

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 04h00

O clube das sete nações mais industrializadas do mundo se reúne no Canadá a partir de hoje em um clima de hostilidade sem precedentes em relação aos Estados Unidos, o que levou o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, a dizer com ironia que não existe mais o G-7, mas o “G-6 mais um”. No centro da disputa estão as tarifas sobre a importação de aço e alumínio impostas pelo governo Donald Trump sob o argumento de que elas são necessárias para proteger a segurança nacional do país.

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Na quarta-feira, dois dias antes da abertura do encontro, a União Europeia anunciou que vai impor tarifas sobre US$ 3,3 bilhões em importações dos EUA, em retaliação à barreira. Se ela ainda estiver em vigor dentro de três anos, serão adotadas novas tarifas, de US$ 4,2 bilhões. Analistas e investidores temem que a disputa escale para uma guerra comercial, que poderia afetar o crescimento da economia mundial.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que as conversas serão “difíceis” e não abrangerão apenas a questão comercial. Os europeus e os americanos também racharam em relação ao acordo sobre o programa nuclear do Irã, abandonado por Trump. No ano passado, o americano já havia se distanciado do continente ao retirar os EUA do Acordo de Paris sobre mudança climática.

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O chefe do Conselho Nacional Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, deixou claro que Trump não pretende ceder às pressões contra as tarifas. Segundo ele, o sistema multilateral construído em torno da Organização Mundial do Comércio (OMC) está “quebrado” há cerca de 20 anos – ele não mencionou isso, mas o período é semelhante ao da entrada na China na instituição, em 2001. “O presidente está tentando consertá-lo”, afirmou Kudlow.

Déficit. Trump se queixa com frequência do déficit comercial dos EUA com muitos de seus parceiros – em especial a China, ignorando as razões estruturais que impulsionam as importações americanas. “O presidente gostaria que outros países atendessem a nossos pedidos. Até agora, eles não o fizeram de maneira satisfatória”, disse. Entre as demandas, estão a redução de tarifas e o aumento da compra de produtos dos EUA.

Os sinais do distanciamento entre Washington e seus aliados ficaram evidentes em um tuíte postado ontem pelo presidente francês, Emmanuel Macron, líder europeu de mais próxima relação com Trump: “Os 6 países do G7 sem os Estados Unidos são um mercado maior que o mercado americano. Não podemos esquecer.”

Duas horas mais tarde, Macron publicou outro post: “O presidente americano pode não se importar em ficar isolado, mas nós também não nos importamos em assinar um acordo de seis países se for necessário. Porque esses seis países representam valores, eles representam um mercado econômico que tem o peso da história atrás dele e que agora é uma força internacional real”.

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