Reunião em SP vai discutir comércio com a Argentina

Solução sobre a retração dos negócios entre os dois países ficou para um encontro entre representantes dos governos na semana que vem

Marina Guimarães e Ariel Palacios, correspondentes, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2014 | 02h06

BUENOS AIRES - Representantes dos governos e das montadoras do Brasil e da Argentina vão se reunir na próxima semana, em São Paulo, para discutir uma solução para a retração dos negócios entre os dois países. A decisão foi tomada ontem, em Buenos Aires, durante reunião entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil (Mdic), Mauro Borges, o secretário executivo do Ministério de Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli, os ministros argentinos Axel Kicillof (Economia) e Débora Giorgi (Indústria) e o presidente do Banco Central da Argentina, Juan Carlos Fábrega.

O encontro era para discutir a criação de linhas de financiamento para exportadores, além das barreiras alfandegárias do governo da presidente Cristina Kirchner contra produtos brasileiros e queda nas exportações do Brasil para a Argentina. A reunião, no entanto, ocupou apenas uma hora do ministro Borges, que permaneceu em Buenos Aires cinco horas e partiu sem falar com a imprensa.

Na próxima semana, "os dois governos vão equalizar uma proposta para o financiamento de exportações para garantir a liquidez do comércio", informou, sem dar detalhes, uma fonte do governo brasileiro.

Este foi o terceiro encontro de autoridades dos dois países para discutir o assunto. No primeiro trimestre, as exportações brasileiras de carros para a Argentina retrocederam 32%, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan.

Na semana passada, Moan se reuniu com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, para discutir o tema e foi informado do encontro de ontem.

Embora não tenha dado detalhes, Kicillof classificou a reunião de ontem como "excelente", enquanto Fábrega disse que ela "permitiu continuar o trabalho para a próxima semana no Brasil".

Há quase um mês, os dois governos assinaram um memorando de entendimento para criar instrumentos de financiamento das importações argentinas de automóveis feitos no Brasil. No início de março, Borges também se reuniu com os argentinos para negociar maior fluidez do comércio bilateral.

A preocupação do governo brasileiro com a queda das vendas ao mercado do principal sócio na região tem sustentação nos números. No primeiro trimestre, conforme os últimos dados disponíveis, o comércio bilateral recuou 17% em relação ao mesmo período de 2013. Enquanto os embarques argentinos ao Brasil recuaram 21%, as exportações brasileiras aos argentinos caíram 13%, conforme análise da consultoria Abeceb.

Embora a Argentina tenha tido um superávit de US$ 35 milhões em março, no acumulado do primeiro trimestre o superávit é do Brasil, com US$ 262 milhões. No ano passado, no mesmo período, a Argentina teve superávit de US$ 82 milhões.

Novo regime. Outro assunto pendente entre os dois governos é a aprovação do novo regime automotivo. O texto atual foi renovado em 2008 e vence em julho.

O regime atual estabelece um comércio administrado e impede o livre-comércio de veículos entre Brasil e Argentina, na contramão do que estava previsto originalmente pelo Mercosul, que havia determinado o fim das barreiras comerciais entre os países sócios do Mercosul a partir do ano 2000.

As reuniões para definir o novo regime automotivo estavam previstas inicialmente para o segundo semestre de 2012. Mas a agenda atrasou e, apesar do escasso tempo que resta, ainda não foram definidos os parâmetros do novo regime.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.