Bolsa fecha o dia em leve baixa e dólar sobe a R$ 3,90

Bolsa fecha o dia em leve baixa e dólar sobe a R$ 3,90

Dólar teve valorização de 0,13% e chegou a R$ 3,90; Bolsa encerrou o pregão em queda de 0,34%, aos 76.818,72 pontos

Simone Cavalcanti e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

16 Agosto 2018 | 12h34

Apesar da melhora do cenário externo, com a retomada de negociações comerciais entre EUA e China na semana que vem e a diminuição das preocupações em relação à crise turca, os ativos domésticos terminaram a sessão desta quinta-feira em leve baixa de 0,34%, aos 76.818,72 pontos. Pesou a incerteza no cenário eleitoral e os investidores aguardam ainda os próximos debates entre os candidatos à Presidência, assim como novas pesquisas de intenção de voto.

A postura defensiva dos investidores também se refletiu no câmbio, e o dólar fechou com leve ganho de 0,13%, a R$ 3,9029 no segmento à vista, após um pregão volátil.

Bolsa fecha em leve baixa com incertezas no cenário eleitoral

O Ibovespa abriu o dia em alta, espelhando o bom humor dos investidores com o arrefecimento da tensão geopolítica, mas no meio da sessão de negócios, virou para o terreno negativo.

No entanto, o comportamento positivo visto lá fora, especialmente nos pares americanos, segurou as perdas, fazendo com que o principal índice da Bolsa brasileira fechasse em leve baixa (-0,34%), aos 76.818,72 pontos. Entre a mínima e a máxima a oscilação foi de 1.322 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 9,37 bilhões.

"Passada a safra, onde os balanços corporativos vieram melhor que o esperado, os olhares dos investidores se voltam para as movimentações políticas", nota Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

Entre as blue chips, papéis mais negociados na Bolsa de Valores de São Paulo, as ações da Petrobrás fecharam em queda de 0,42% (ordinárias) e de 0,52% (preferenciais). Vale ON recuou 1,37%. No bloco financeiro, Itaú Unibanco PN caiu 0,14%. Por sua vez, os papéis PN de Bradesco fecharam estáveis (0,00%) enquanto do Banco do Brasil ON reverteram para alta nos minutos finais do pregão (0,31%).

Dólar fecha em leve alta de 0,13% e chega a R$ 3,90

O dólar teve desempenho inconstante nesta quinta-feira, 16, oscilando ao sabor de influências internas e externas e sensível ao noticiário relativo à corrida eleitoral. A moeda americana alternou altas e baixas ao longo da sessão de negócios e acabou por fechar com ligeiro viés de alta, cotada a R$ 3,9029 no mercado à vista (+0,13%). Enquanto o cenário internacional favoreceu algum alívio na aversão ao risco dos últimos dias, o ambiente eleitoral mais movimentado manteve o investidor na defensiva.

Entre a mínima e a máxima, a cotação da moeda oscilou em um intervalo de 6 centavos, de R$ 3,8674 (-0,78%) a R$ 3,9265 (+0,74%).

Pela manhã, predominou sinal de baixa das cotações, que estiveram alinhadas ao enfraquecimento do dólar ante moedas emergentes e fortes. Contribuíram, entre outros fatores, os indicativos de reaproximação comercial entre os Estados Unidos e a China. O vice-ministro do Comércio da China, Wang Shouwen, foi convidado a visitar Washington para retomar o diálogo entre as duas maiores economias do mundo. Também foi fator positivo a manutenção da trajetória de alta da lira turca, que já anula quase todas as perdas dos últimos dias. Foi o terceiro dia seguido de ganho da moeda turca. Nesta quinta-feira, 16, o ministro das Finanças da Turquia, Berat Albayrak, buscou dar segurança a investidores internacionais e se comprometeu a reparar os problemas econômicos.

"A questão da Turquia é que muitos investidores deixaram de apostar contra o país, diante da possibilidade de um pacote de socorro do FMI, como aconteceu com a Argentina. Essa percepção acabou por acalmar o mercado de câmbio", afirma Robério Costa, economista-chefe do Banco Confidence.

Às 17h25, o dólar americano tinha baixa ante a lira turca (-2,74%), o peso mexicano (-0,85%), o rublo (-0,73%) e o peso argentino (-0,28%). Por outro lado, subia ante o rand (+1,07%) e o dólar canadense (+0,15%).

Apesar de ter se mostrado essencialmente positivo, o noticiário internacional foi considerado entre os analistas como pouco influente para os negócios por aqui. A 50 dias úteis da eleição presidencial, é visivelmente maior a sensibilidade dos ativos ao noticiário e às especulações em torno de candidatos com chances de chegar ao segundo turno do pleito.

Para Robério Costa, do Banco Confidence, o que torna a eleição presidencial brasileira peculiar é justamente o cenário muito aberto em um período tão próximo da eleição, com múltiplas possibilidades de formação do segundo turno. "Estamos caminhando sobre uma linha, sem saber qual lado iremos. Com isso, o investidor está trabalhando armado, pronto para reagir com o dólar em alta", disse Costa.

Negociações entre EUA e China

Mais cedo, nesta quinta-feira, o principal assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, confirmou, em entrevista à rede CNBC, a retomada de negociações sobre o comércio com a China. Ele disse que o presidente Donald Trump está firmemente comprometido a garantir um acordo bom.

Na quarta-feira, 15, o governo chinês informou que o país asiático vai realizar nova rodada de negociações comerciais com os Estados Unidos em Washington no final deste mês. O movimento  pode trazer esperança para o progresso na resolução de um conflito que colocou os mercados financeiros mundiais no limite.

Uma delegação chinesa liderada pelo vice-ministro do Comércio, Wang Shouwen, se reunirá com representantes dos EUA liderados pelo subsecretário do Tesouro para Assuntos Internacionais, David Malpass, informou o Ministério do Comércio em comunicado.

Embora o engajamento tenha sido visto por analistas e empresários como positivo, eles alertaram que as negociações provavelmente não levariam a um avanço, já que ocorrerão entre funcionários de segundo escalão.

Também continua a grande lacuna entre os dois lados sobre as exigências de Washington de que Pequim melhore o acesso ao mercado e as proteções de propriedade intelectual para as empresas dos EUA, e reduza o déficit comercial de US$ 375 bilhões com a China.

“O segundo escalão da delegação sugere que ambos os lados permanecem distantes, e um acordo para essa visita é muito improvável”, escreveu o chefe do escritório de Pequim do banco de investimento Everbright Sun Hung Kai, em nota, Jonas Short.

 

Crise na Turquia

A reunião sino-americana também ajusta a retirar tensões sobre o mercado turco, que mobilizou as atenções dos investidores globais nos últimos dias.

Nesta quinta-feira, a lira, moeda turca, se fortalece mais ante o dólar, reagindo a declarações do ministro das Finanças da Turquia, Berat Albayrak, que disse que o país deve receber mais investimentos estrangeiros, a serem anunciados nas próximas semanas.

Albayrak também reforçou que o sistema bancário da Turquia é forte e que reformas estruturais e uma política monetária restrita são prioridades neste momento no país.

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