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Reunião entre GM e metalúrgicos acaba sem acordo e greve continua

Montadora ofereceu suspensão temporária do contrato de 798 por 60 dias, mas trabalhadores queriam que medida tivesse um prazo de cinco meses, além de estabilidade de seis meses após o período

Igor Gadelha , O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 09h13

Terminou no início da noite desta terça-feira, 24, sem acordo, a reunião de conciliação entre funcionários e a direção da fábrica da General Motors (GM) de São José dos Campos (SP) no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15ª Região, em Campinas.

Sem acordo, a ação de dissídio coletivo ajuizada pela montadora irá a julgamento pelo tribunal, ainda sem data prevista para acontecer. Trabalhadores prometem continuar em greve, deflagrada na última sexta-feira.

De acordo com a ata do encontro desta terça, a empresa teria proposto aos funcionários colocar 798 trabalhadores em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) por 60 dias, comprometendo-se a voltar a discutir a situação da fábrica após 45 dias. 

Os trabalhadores, contudo, rejeitaram a proposta e propuseram à GM ampliar esse lay-off  para cinco meses, desde que os colaboradores tivessem estabilidade no emprego de seis meses após esse período. A empresa disse que não havia possibilidade e não concordou com a proposta.  

Na reunião, os trabalhadores afirmaram que aceitariam também suspensão por meio de férias coletivas ou licença remunerada, desde que não haja demissões. Eles dizem que só encerrarão a greve se a GM revogar a previsão de cortes. Sem acordo, a reunião foi encerrada. Com isso, a ação de dissídio será distribuída eletronicamente para um relator.

Em seguida, o processo será remetido ao Ministério Público do Trabalho (MPT), para emissão de parecer, e voltará para o TRT para que a data de julgamento seja definida.

Antes do encontro de hoje no TRT, os funcionários de São José já tinham rejeitado uma proposta de lay-off por dois meses, sem garantia de estabilidade. Além disso, os trabalhadores também haviam recusado oferta da GM de prorrogar por mais 60 dias a suspensão de outros 798 trabalhadores que voltaram do lay-off em 13 de fevereiro.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos alega que houve a redução de 2,4 mil postos de trabalho nos últimos dois anos na unidade. 

 A GM também entrou com ação de interdito provisório na Justiça do Trabalho de primeira instância e obteve parecer favorável para que o sindicato não realize atos que impeçam funcionários de trabalharem. 

Caso promova qualquer bloqueio, o sindicato terá de pagar multa de R$ 50 mil por cada ato. A empresa já comunicou os funcionários, por meio de boletim interno no início da tarde desta terça, e alguns deles já teriam retornado à produção. O sindicato afirma que entrará com recurso contra essa decisão nesta quarta-feira.

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