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Reunião faz avançar negociação de acordo entre Mercosul e Europa

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e ocomissário europeu para o comércio, Pascal Lamy, decidiram neste domingo dar um passo definitivo em direção da consolidação, até o final de outubro, das negociações para a formalização do acordo de livre comércio entre a União Européia e o Mercosul. Lamy e Amorim concordaram em apresentar, no próximo dia 20, as propostas completas de ambos os lados para que num intervalo de, no máximo, um mês, seja realizada uma negociação final em nível ministerial. "Há dificuldades que não ignoramos, mas ao termos essa troca de idéias sobre os vários pontos em nossos interesses que não estão totalmente encaixados, chegamos à conclusão de que aindavale a pena o esforço e nós faremos esses esforço", disse Amorim após reunião com Lamy no Palácio do Itamaraty.A anuência de Lamy em relação à apresentação de uma proposta completa foi uma vitória importante de Amorim na reunião informal deste domingo. Ao longo dos últimos meses, os negociadores europeus vinham insistindo em apresentar sua proposta para o acordo de livre comércio em partes. Osbrasileiros chegaram a abandonar a mesa de negociações, já que a estratégia adotada pela União Européia inviabilizava uma análise mais profunda sobre ganhos e perdas das negociações, o que, no entender dos negociadores do Mercosul, tornava impossível o fechamento de qualqueracordo. Amorim informou que a partir desta segunda-feira, os técnicos dos dois lados estarão reunidos em Bruxelas, na Bélgica, para esclarecer alguns pontos que, de parte a parte, podem ser "essenciais" para a boa conclusão deste processo. No dia 20, as propostas completas serão colocadas sobre a mesa, abrindo assim uma etapa de avaliação. "Depois das ofertas completadas, em mais ou menos um mês, teremos uma negociação final em nível ministerial", disse Amorim. A decisão de manter o calendário das negociações foi fechada durante reunião no Itamaraty que durou quase três horas e contou com as presenças dos ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. O encontro foi solicitado por Lamy, que se deu ao trabalho de sair das Ilhas Fiji, tomar uma conexão em Los Angeles e vir ao Brasil, antes de retornar à Europa. "Minha visita tinha uma proposta muito simples. Vim ver se daria um aperto de mão nos ministros de adeus ou de até breve. Decidimos que seria de até breve", resumiu Lamy, que deixará em novembro o posto de comissário europeu para o comércio.Apesar do claro comprometimento de Lamy e Amorim em tentar cumprir o calendário das negociações, os dois não ignoram que as discussões sobre cada proposta prometem longas negociações. "Há muitas coisas a se fazer", disse Lamy, ao reconhecer que os dois lados terão que aprimorar as propostas feitas até agora. Os europeus exigem uma melhor definição por parte dos negociadores do Mercosul sobre temas como compras governamentais, investimentos e serviços. Por outro lado, os negociadores do bloco do cone sul querem uma proposta mais aberta em termos de acesso a mercados, principalmente no que se refere os produtos agrícolas.Essas questões técnicas não foram centrais nas discussões deste domingo no Itamaraty. "Foi uma discussão franca, não foi tecnicamente detalhada", disse Amorim. Mas mesmo sem detalhamento, esses questões não ficaram completamente de fora das discussões. "A conversa não evitou certosaspectos técnicos que têm repercussão direta para a avaliação quepossamos fazer para o conjunto", completou Amorim.Os dois lados estão conscientes de que concessões terão que ser feitas para que o maior acordo comercial do mundo seja transformado em realidade ainda este ano. Mas as dificuldades encontradas até agora não foram suficientes para tirar o ânimo de Lamy e Amorim. "Tenho confiança de que teremos resultados positivos", disse o confiante ministro brasileiro, após a reunião.

Agencia Estado,

12 de setembro de 2004 | 18h56

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