Reunião no TST de Correios e Fentect acaba sem acordo

Terminou sem acordo a reunião da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafo (ECT) nesta terça-feira, 17, para discussão do dissídio coletivo deste ano. O encontro foi no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A Fentect - que representa trabalhadores dos Correios de algumas regiões do País - rejeitou a proposta da empresa.

AYR ALISKI, Agencia Estado

17 de setembro de 2013 | 20h29

Em nota, o tribunal informa que o vice-presidente do TST, ministro Antônio José de Barros Levenhagen - que presidiu a audiência - encerrou os trabalhos após as partes não chegarem a um entendimento, devido à resistência da federação de trabalhadores. O ministro Levenhagen apresentou uma proposta para que a categoria não entrasse em greve antes de uma tentativa de acordo no TST.

O TST informa também que a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Correios (Findect) não compareceu à audiência e encaminhou petição informando que os sindicatos filiados a ela já haviam celebrado acordo com a estatal. Os trabalhadores dos Correios das bases de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Tocantins, Rio Grande do Norte e Rondônia, ligados à Findect, aceitaram na sexta-feira, 13, a proposta feita pela ECT, e por consequência, o fim da greve.

O caso entre Correios e Fentect, no entanto, seguirá outro caminho. Agora o TST realizará o sorteio de um ministro relator para o julgamento do dissídio. A decisão final será tomada, portanto, na Seção de Dissídios Coletivos (SDC), e isso não tem data prevista para ocorrer.

Após o revés na negociação, os Correios divulgaram nota citando que a "intransigência da Fentect leva ao dissídio". De acordo com a estatal, foi inviável qualquer tentativa de conciliação, mesmo mediada, na primeira audiência entre os Correios e a federação.

Segundo os Correios, o ministro do tribunal chegou a ressaltar que proposta econômica feita pela ECT era satisfatória. A empresa ofereceu reajuste de 8% nos salários (o que, segundo a ECT, repõe integralmente a inflação do período, de 6,27%, e garante ganho real de 1,7%); de 6,27% nos benefícios; pagamento de vale extra no valor de R$ 650,65, a ser creditado em dezembro; e Vale Cultura, dentro das regras de adesão ao programa implementado pelo governo federal.

Pela manhã, a ECT convocou uma coletiva de imprensa. "Fizemos o esforço máximo que tínhamos ao oferecer os 8%. Está no limite da possibilidade da empresa. Não há o que oferecer a mais", afirmou, na ocasião, o presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira. Ele argumentou que tratava-se de um bom reajuste, "se considerada a conjuntura atual".

Balanço

Apesar do impasse ao final desta terça-feira nas negociações com a Fentect, o balanço dos Correios indica que parcela de 98,73% do efetivo compareceu normalmente ao trabalho nesta terça, o que equivale a 122.889 empregados. O número é apurado por meio de sistema eletrônico de presença. Esse balanço leva em consideração que seis sindicatos decidiram manter paralisação durante o dia: Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Tocantins, São José do Rio Preto (SP) e Vale do Paraíba (SP). Mesmo assim, segundo a ECT, a rede de atendimento ficou aberta em todo Brasil e todos os serviços, disponíveis - com exceção da postagem, entrega e coleta de encomendas com hora marcada nos locais onde houve paralisações - foram mantidos.

A ECT ressalta que continuará aplicando medidas do Plano de Continuidade de Negócios para garantir a entrega de cartas e encomendas e o atendimento em toda rede de agências, caso outros sindicatos venham a aderir à paralisação nas assembleias desta terça-feira. Entre as ações estão a realização de horas extras, mutirões para entrega nos fins de semana e deslocamento de empregados entre as unidades.

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