Reunião tenta equilibrar uso da água

Produtores agrícolas e municípios que captam do rio alegam que redução da vazão de Três Marias puniria a região com racionamento

ALEXA SALOMÃO, ENVIADA ESPECIAL, TRÊS MARIAS (MG), O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2014 | 02h05

Encher, um pouco que seja, a caixa d'água de Três Marias não é uma tarefa serena. Segurar mais água em Três Marias pode complicar a vida de quem depende do São Francisco rio abaixo - e numa região onde a seca está mais severa ainda.

"Se Três Marias segurar um volume maior de água, comprometerá o abastecimento rio abaixo", diz Anivaldo Miranda, presidente do Comitê da Bacia do São Francisco. "A situação é crítica não só para o setor elétrico, mas para todos os usuários que dependem do São Francisco."

Na quinta-feira, uma reunião em Brasília tentou equilibrar esses interesses. No encontro estavam representantes de produtores agrícolas, da Cemig, empresa de energia que tem a concessão de Três Marias, do Operador Nacional do Sistema (ONS), que faz a gestão do setor elétrico, da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), empresa que responde por usinas no rio São Francisco, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), que representa agricultores que dependem da irrigação a partir do São Francisco.

Reserva. O ONS quer reduzir a saída de água de Três Marias para 120 m³/s. É uma forma de preservar a água da barragem e criar uma reserva de água para as próximas semanas, quando o calor deve aumentar. Pelos cálculos do ONS, Três Marias ainda teria 2% de água útil até o fim de novembro, mês em que se espera que as chuvas comecem a cair. Também seria possível, neste caso, manter a geração.

A Cemig teme que os equipamentos usados possam ser danificados se forem totalmente desligados e se comprometeu na reunião a testá-los nas próximas semanas. A redução para 120 m³/s, porém, é considerada radical por outros usuários das águas do São Francisco.

Produtores agrícolas e municípios que captam água do rio para abastecer a população alegam que essa redução puniria com o racionamento milhões de pessoas e a produção agropecuária numa região pobre do País. Ficou estabelecido que Três Marias reduziria a vazão de água dos atuais pouco mais de 150 m³/s para 140 m³/s até o fim de outubro, quando nova reunião será agendada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.