Reuniões bilaterais precedem encontro entre Brasil, UE e EUA

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, se reuniu hoje no Rio de Janeiro com o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, antes de encontrar-se com o representante Comercial dos EUA, Robert Portman, para tratar das negociações da rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). A reunião "informal" dos três negociadores no hotel Copacabana Palace, na qual também participará o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, foi marcada para o sábado, já que as conversas de hoje serão apenas bilaterais, segundo disseram à EFE fontes diplomáticas. Lamy participará hoje de um seminário econômico em São Paulo e chegará ao Rio de Janeiro ao anoitecer.Amorim, que na tarde desta sexta-feira fará sua reunião bilateral com Portman, pretende abordar nos encontros propostas para tentar destravar as negociações da Rodada de Doha, que não avançaram desde a conferência ministerial que a OMC realizou em dezembro do ano passado em Hong Kong.Tanto Mandelson como Amorim evitaram dar declarações à imprensa, embora o chanceler brasileiro tenha reiterado que o encontro do Rio de Janeiro serviria apenas para discutir idéias, afastando de imediato expectativas sobre possíveis decisões ou anúncios."São conversas informais. A OMC tem 149 membros, e o Brasil não tem mandato para conversar em nome de ninguém. Qualquer coisa que seja discutida aqui terá de ser debatida depois com os outros países", afirmou.NegociaçõesNas declarações que fizeram antes de chegarem ao Rio de Janeiro, tanto Mandelson como Lamy afirmaram que conversarão com Amorim sobre a necessidade de que o Brasil aceite uma redução maior de suas tarifas sobre produtos industriais. Mandelson disse ainda que a oferta dos Estados Unidos de redução dos subsídios à agricultura também é "insuficiente" porque "não oferece reduções substanciais nem propõe regras para muitos tipos de subsídios". O Brasil e os Estados Unidos, por sua vez, consideram insuficiente a redução tarifária a produtos agrícolas oferecida pela União Européia.A reunião no Rio de Janeiro ocorre um mês antes do fim do prazo que os membros da OMC fixaram para a obtenção de um acordo sobre as modalidades em que haverá redução dos subsídios e tarifas tanto para o setor agrícola como para o industrial. Em Hong Kong, na conferência ministerial de dezembro, os países se comprometeram a reduzir, até 2013, seus subsídios às exportações agrícolas e ajudas internas, o que afeta principalmente a União Européia e os Estados Unidos.

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