finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Reuniões do Copom terão intervalos de até 55 dias em 2014

Em ano de Copa do Mundo no Brasil e de eleições, também haverá períodos de apenas 34 dias entre encontros de diretores do BC  

Vinicius Neder, da Agência Estado,

19 de novembro de 2013 | 16h38

RIO - O intervalo médio entre as reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em 2014 será maior do que o padrão de cerca de 40 dias. O menor período será de 34 dias e ocorrerá duas vezes, entre a segunda e a terceira reuniões e entre a sétima e a oitava, no fim do ano. Já o maior será de 55 dias e também ocorrerá duas vezes, em meados do ano.

O calendário foi divulgado em junho. Em apresentação num seminário na segunda-feira, 19, no Rio, o ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda Nelson Barbosa chamou a atenção para a irregularidade dos intervalos, num ano de calendário apertado, com carnaval em março, Copa do Mundo de Futebol no Brasil e eleições gerais em outubro.

"Olhando o calendário de reuniões, dá para perceber que o BC levou em consideração esses eventos não recorrentes", disse Barbosa. "Para mim, parece que já está precificado que a taxa de juros vai subir até antes do carnaval e, depois, se olhará para ver as condições", afirmou.

Para o economista, caso o ritmo de alta da taxa de juros seja de 0,25 em 0,25 ponto porcentual, ela pode chegar em 12%. "No pior cenário, se for subindo em 0,5 em 0,5 (pp) chega a 14%", completou.

O "pior cenário" de Barbosa inclui reajustes nos combustíveis e na energia elétrica, elevação na taxa de câmbio, retirada dos estímulos monetários na economia dos Estados Unidos e rebaixamento da nota de risco do Brasil pelas agências classificadoras. A taxa nominal de 14% significaria uma taxa real de 6%.

"O pior cenário ainda é um cenário com a taxa real de juro muito mais baixa do que a gente viu nos últimos anos", ponderou Barbosa.

Seguindo o mesmo raciocínio de contagem dos intervalos de reuniões do Copom apresentado por Barbosa - atualmente pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) - percebe-se que a irregularidade dos intervalos não é padrão.

Neste ano, os períodos oscilaram entre 41 e 48 dias. Mesmo em 2010, quando também houve Copa do Mundo (na África do Sul) e eleições gerais, os intervalos tiveram a mesma oscilação. Procurado, o BC ainda não respondeu aos questionamentos encaminhados à assessoria de imprensa.

No seminário de ontem, quando pesquisadores do Ibre/FGV apresentaram suas projeções para a economia em 2014, Barbosa citou o efeito calendário para sustentar sua previsão de que a taxa básica de juros (Selic, hoje em 9,5%) subirá até 11% até o carnaval e, depois, não passará de 14%.

 

Tudo o que sabemos sobre:
copom

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.