Revendedores pedem prorrogação de incentivo

Os distribuidores de veículos pediram ontem ao Ministério da Fazenda a prorrogação do corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros, que se encerra no dia 31 de agosto. A solicitação foi encaminhada num momento delicado, diante da insatisfação do governo com a possível demissão de 1,5 mil trabalhadores da General Motors.

CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2012 | 03h06

A resposta do ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, foi a de que o governo condicionará a extensão do benefício a um compromisso da empresa de que o quadro de funcionários não sofrerá redução, conforme relatou a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). O recado, segundo ela, foi "bastante firme".

"A questão, naturalmente, seria prorrogar, mas o governo quer ter o compromisso formal das empresas de que não haverá demissões", disse a senadora.

Ela participou do encontro com o ministro e o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Flávio Meneghetti, para reforçar o pedido de isenção da cobrança do IPI para a compra de caminhões por caminhoneiros independentes.

Segundo Meneghetti, as vendas de veículos vinham apresentando queda até maio (-1,5%), mas em julho reverteram a direção e passaram a subir 1,5%. Por causa disso, a Fenabrave já espera crescimento das vendas de 3% a 4% este ano. Até então, a estimativa era de retração no ano.

"Sou um otimista, e é importante que o IPI seja prorrogado", afirmou Meneghetti, que não falou de prazos de extensão. Ele avaliou que a situação da GM é um caso pontual. "Acredito que as montadoras terão bom senso para rever sua posição".

Duas rodas. Meneghetti aproveitou para pedir a liberação de mais crédito para financiar a venda de motocicletas. Ele sugeriu que o governo reduza o depósito compulsório (volume de dinheiro que os bancos são obrigados a manter no Banco Central), direcionando mais recursos para financiar as motos. Para ele, seria suficiente o equivalente a 10% dos R$ 18 bilhões liberados para o setor de veículos em maio.

Apenas 10% dos pedidos de crédito para aquisição de motos, segundo o executivo, são aprovados atualmente. A marca já foi de 30%. "As motocicletas estão com mais dificuldade e sofrem mais do que os demais segmentos com o acesso ao crédito."

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