‘Reversão da atual política monetária vai reativar o crédito’

Ministro acredita que pressão inflacionária será reduzida no próximo ano, o que poderá possibilitar a queda da taxa de juros

Entrevista com

Guido Mantega

Agência Estado

18 de setembro de 2014 | 22h10

A presidente Dilma Rousseff, se reeleita, deve promover em 2015 um ajuste fiscal mais forte, o que deve abrir espaço para o Banco Central flexibilizar a política monetária, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. A seguir, mais trechos da entrevista concedida ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado

Os juros no Brasil vão cair no ano que vem?

Ao fazermos um ajuste fiscal mais forte, como prevemos fazer em 2015, abrimos a possibilidade de o Banco Central flexibilizar a política monetária. A política monetária está muito dura, mas assim foi para que pudéssemos debelar a pressão inflacionária. Agora que a inflação caiu, achamos que não haverá pressão no início do ano que vem, porque a seca que vem assolando o País há três anos deve, enfim, ser mais branda. A flexibilização dos juros é importante para regular o nível de demanda que se retraiu muito. A reversão da atual política vai reativar o crédito e, consequentemente, o comércio e a indústria.

O sr. se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante hoje. Novas medidas estão a caminho? Enfim, a simplificação do PIS/Cofins sairá do papel? 

São reuniões de rotina, não costumo revelar minhas conversas com a presidente. A proposta de reforma do PIS/Cofins, de fato, está sendo amadurecida aqui no ministério há algum tempo. Esses tributos têm mil dispositivos e a ideia, como há muito tempo, é permitir que as empresas possam usar os créditos tributários. Mas isso não foi discutido com Dilma.

A política econômica tem sido um dos principais focos das críticas de Aécio Neves e Marina Silva. Como o sr. vê isso? 

A Marina, primeiro, tem de ganhar a eleição para depois fazer alguma cobrança de política econômica. Os economistas dela falam em tarifaço e em ‘desmame’ da indústria no BNDES. Se fizer tarifaço, algo que não faz sentido para 2015, a população pagará mais no combustível, no remédio e na energia. Também fico muito preocupado quando Armínio Fraga fala em aumentar o superávit primário. Na época dele, o primário era alto porque tinha de pagar os juros levados à estratosfera por ele. Ele pegou a inflação em 9% e entregou em 12,5%. Precisamos ter cuidado com essa estratégia econômica que está sendo professada. Quando falam em reajuste de tarifas, como podem compatibilizar isso com o controle e queda da inflação? Imagina a taxa de juros que vão praticar para amarrar tudo isso.

Os analistas apontam uma melhora do mercado acionário brasileiro, e das ações da Petrobrás em especial, sempre que há uma queda da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas. Como o sr. vê isso?

Se eu fosse um analista, não estaria olhando para especulação eleitoral, mas para os fundamentos da empresa. Significa que a produção está aumentando, o lucro vai aumentar e terá bons resultados. Eu não me admiraria se tem alguém que lança uma expectativa para simplesmente poder se aproveitar da movimentação da bolsa. / JOÃO VILLAVERDE, IRANY TEREZA, ADRIANA FERNANDES, RENATA VERÍSSIMO E BIANCA RIBEIRO

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