Reverter medidas de alívio monetário é desafio, diz BOE

Reverter as medidas de estímulo adotadas desde que o mundo entrou em recessão em 2008 será um desafio para os bancos centrais e pode causar problemas em economias em desenvolvimento, disse neste sábado o vice-presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Charles Bean.

Agencia Estado

24 de agosto de 2013 | 16h25

Em discurso durante o simpósio de política monetária do Federal Reserve (Fed) de Kansas City em Jackson Hole, Wyoming, ele disse que as recentes oscilações nos mercados financeiros em resposta às especulações de que o Fed vai começar a reduzir sua compra mensal de bônus em breve enfatiza os riscos que os bancos centrais enfrentam para retornar suas políticas ao normal.

A volatilidade dos mercados é um "evidente lembrete" de que retirar os estímulos "pode não ser suave", disse Bean, segundo texto de seu discurso. "A saída será desafiadora tanto para os bancos centrais de países que retiram os estímulos quanto para aqueles outros países que serão afetados pelos efeitos internacionais."

Nos últimos anos o Fed, o BOE e outros importantes bancos centrais reduziram suas taxas de juros para perto de zero e testaram uma série de ferramentas não convencionais de política monetária para estimular suas economias, dentre elas a emissão de dinheiro para a compra de bônus, o relaxamento quantitativo.

A maior parte do discurso de Bean foi em defesa dessas políticas contra críticos que dizem que elas seriam ineficientes ou prejudiciais. Mas ele reconheceu que as polícias de dinheiro fácil no Ocidente provocaram problemas para os mercados emergentes e disse que revertê-las também deve ser complicado.

Baixas taxas de juros em economias desenvolvidas fizeram com que muitos investidores procurassem mercados externos em busca de maiores retornos. Agora, alguns países em desenvolvimento estão registrando a elevação dos custos para empréstimos e o enfraquecimento de suas taxas de câmbio com a saída desses investidores, afirmou Bean.

O risco em economias avançadas que registram recuperação é que os custos de endividamento subam mais rapidamente do que suas economias podem suportar, disse ele. Esta foi uma das razões pelas quais o BOE prometeu em agosto não elevar sua taxa de juros, que está em 0,5%, até que o desemprego no Reino Unido caia para 7%, uma meta que o banco central britânico não espera alcançar até 2016, afirmou Bean. O desemprego no Reino Unido está atualmente em 7,8%.

Ele destacou que a promessa do BoE teve como objetivo eliminar qualquer incerteza sobre como o banco central vai reagir aos sinais de fortalecimento da recuperação e não teve como objetivo fornecer estímulos adicionais, disse ele.

"Ao reduzir as incertezas sobre nosso comportamento, temos como objetivo encorajar as famílias e as empresas a gastar e investir. O conhecimento de que a política monetária não será apertada até a incipiente recuperação do Reino Unido está garantida e deve estimulara confiança", disse Bean. Fonte: Dow Jones Newswires.

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