Reviravoltas na negociação podem inviabilizar venda da Varig

O investimento de cerca de US$ 500 milhões que a Varig Log planeja fazer para comprar a Varig pode ser inviabilizado por causa de duas reviravoltas na negociação que vieram à tona na segunda-feira, conta uma fonte da ex-subsidiária de logística e transporte de cargas. Nesta terça-feira, a Varig Log fez mais um depósito para a Varig pagar despesas emergenciais, mas o valor não foi divulgado. Na segunda-feira, foram emprestados R$ 8 milhões (US$ 3,5 milhões) para garantir a operação da Varig por 24 horas. Ao todo, a Varig Log se propõe a emprestar US$ 20 milhões até a realização de novo leilão.A primeira ameaça à proposta da Varig Log foi a liminar obtida pela Fazenda Nacional, que determina que o dinheiro arrecadado no leilão da Varig seja usado para abater dívidas tributárias e previdenciárias. Outro revés foi o pedido do administrador judicial da Varig, a consultoria Deloitte, de garantir a continuidade de operações da "Varig antiga", que herdaria o passivos e teria 5% das ações da Varig. Para a Varig Log, essa seria uma forma de assumir a administração dos débitos da antiga controladora."Nossa proposta pode cair no vazio. O investimento pode ser inviabilizado", afirma a fonte. O problema é que o dinheiro que a ex-subsidiária planeja pagar pela Varig, equivalente a R$ 1,115 bilhão, não conseguiria cobrir a dívida com a União (R$ 2 bilhões) e com o INSS (R$ 1,5 bilhão). Portanto, não sobrariam recursos para amortizar débitos com demais credores estatais e privados. Antes da liminar obtida pela Fazenda, estava definido que os credores estatais e privados receberiam parte do dinheiro do leilão para amortizar seus débitos. Apesar desse cenário, a fonte conta que os negociadores da Varig Log trabalhariam durante todo o dia de terça e quarta-feira, quando a Justiça do Rio deve dar sua decisão sobre o futuro da Varig: falência definitiva, novo leilão ou convocação de assembléia de credores para avaliar a proposta da Varig Log, que mesmo sendo aprovada terá de passar por outra concorrência.PropostaA formalização da proposta da Varig Log pela ex-controladora estava condicionada a outra pendência. A ex-subsidiária foi comprada em dezembro de 2005 por US$ 48,2 milhões pela Volo do Brasil, consórcio do fundo americano de investimentos Matlin Patterson e três sócios brasileiros. A negociação, porém, só foi aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sexta-feira passada, após essa condição ter sido divulgada publicamente.Credores da Varig tem dúvidas com relação à proposta da Varig Log. Ainda não houve uma reunião de apresentação para os principais credores, como ocorreu nas propostas anteriores. Nesta terça-feira, um representante de um credor privado informou que teria um primeiro contato com representantes da Varig Log. A ex-subsidiária limita-se a informar que estão ocorrendo reuniões "para avançar as negociações, com as partes interessadas".Uma das preocupações é sobre quais seriam os recursos usados para pagar as dívidas mais recentes e qual seria a viabilidade da chamada Varig antiga, com a qual ficarão as dívidas mais pesadas, anteriores à entrada na Lei de Recuperação Judicial e parceladas em prazos acima de dez anos. "O credor quer resolver as dívidas de curto prazo, dinheiro no bolso, pronto", diz outro representante, citando que caso a proposta contemple apenas investimentos na operação "pode haver resistência de novo".

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