Revisão da meta de inflação anima mercados

A notícia de que a meta de inflação do ano que vem será elevada e que a meta a ser fixada para 2004 poderá ser menos rigorosa gerou uma trégua no nervosismo que vem atingindo o mercado financeiro nos últimos dias. Às 10h24, o dólar comercial estava sendo cotado a R$ 2,8630, com queda de 0,66% em relação aos últimos negócios de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagam taxas de 24,250% ao ano, frente a 24,950% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em alta de 1,09%.Ontem, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou decreto autorizando a alteração da meta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Segundo fontes ligadas ao governo ouvidas pela Agência Estado, a sugestão é que o CMN defina hoje, em sua reunião, a elevação da meta para 2003 de 3,25% para 4,5%. E que a meta para 2004 seja fixada em 4%. A notícia produziu uma melhora significativa no humor do mercado. Já há quem diga que o Comitê de Política Monetária (Copom) poderia ter fixado o viés de baixa em sua última reunião esperando pela alteração da meta de inflação. "Sem dúvida, essa alteração na meta abre um espaço para que o corte de juro seja retomado. Se isso vai acontecer agora ou mais para frente, é difícil saber. Mas o fato é que os juros futuros estão recuando porque agora há uma possibilidade de o viés ser utilizado e essa melhora de humor deve influenciar todo o mercado financeiro", afirma um operador. A flexibilização da meta de inflação abrirá espaço para o Copom usar o viés de baixa e, com isso, estimular a atividade econômica, além de reduzir a pressão sobre o câmbio. Depois de ter batido ontem novo recorde do Plano Real, cotado a R$ 2,882, o dólar operava na mínima instantes atrás, em baixa de 1,63%. Ao mexer na meta de inflação, o governo está corrigindo um erro, segundo alguns analistas, pois o intervalo adotado era muito apertado, insuficiente para acomodar os choques da economia.Já com relação à crise no mercado acionário, a reação esboçada ontem no final da tarde pelos mercados norte-americano e brasileiro está tendo continuidade esta manhã. A crise de confiança agravada ontem pela revelação de fraude bilionária da WorldCom, que abalou os mercados, continua presente mas os investidores norte-americanos foram surpreendidos esta manhã por boas notícias. A revisão final do PIB dos EUA referente ao primeiro trimestre apontou crescimento de 6,1% contra uma estimativa mais modesta, de 5,6%. A previsão média é de um crescimento de 5,6%. Outro dado que agradou foi a forte queda no número de pedidos de auxílio-desemprego na semana até 22 de junho. Houve uma queda de 10 mil pedidos para uma previsão de menos 3 mil solicitações.

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