Revisão de tarifas pode pressionar inflação futura, diz Fipe

O professor de economia da USP e coordenador da Pesquisa de Preços da Fipe, Heron do Carmo, acompanha com desconfiança as negociações entre governo e empresas em torno da política de reajuste dos preços de energia elétrica e telefonia. "Toda vez que este tipo de negociação acontece, no fim quem paga a conta é o consumidor", diz Heron. Para ele, mais do que a percepção de que não há maiscomo se controlar inflação via preços livres, a iniciativa de se negociar com as empresas um índice de reajuste menor que a variação dos indicadores definidos em contrato esconde um jogo político. Os respectivos ministérios, de acordo com Heron do Carmo,estariam tentando mostrar que os contratos de concessão dos serviços de energia e telefonia teriam sido feitos de forma errada pelo governo anterior ao aceitar como indexadores das tarifas índices vulneráveis à variação cambial.O problema destes acordos é que eles, se forem fechados este ano a contento do governo, poderão, eventualmente, afetar a inflação futura. "O estrago sobre a inflação e juros jáfoi feito. Se no ano que vem os IGPs estiverem em torno de 7%, por exemplo, as empresas poderão reivindicar um reajuste maior alegando perda com os acordos feitos com o governo este ano", diz Heron, acrescentando que o correto seria cumprir os contratos. Além disso, afirma o coordenador da Fipe, no ano que vem será feito a revisão dos acordos. "Aí sim, o governo deveria rever os índices que reajustam as tarifas", afirma Heron. Para o economista, o ideal seria iniciar o ano que vem com uma inflação livre o máximo possível de carregamento de influências de preços deste ano.

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