Antonio Lacerda|EFE
Antonio Lacerda|EFE

Valores travam acordo da cessão onerosa

Prazo para Petrobrás e União acertarem a revisão do acordo feito em 2010 sobre petróleo do pré-sal termina nesta quinta, mas ainda há divergências

Ricardo Leopoldo, correspondente e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

16 Maio 2018 | 15h45

NOVA YORK E BRASÍLIA-  O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a decisão sobre o adiamento do prazo para que a estatal e o governo cheguem a um acordo sobre a revisão da cessão onerosa, firmada em 2010, é do governo. O prazo termina nesta quinta, 17 e o ideal, segundo o executivo, seria não estendê-lo.

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“Obviamente que a grande questão em discussão é o valor que cabe a cada lado. E os dois lados fazem um trabalho de procurar maximizar o resultado para si, mas isso é normal em qualquer negociação”, disse Parente, após palestra em evento organizado em Nova York pelo Itaú Unibanco.

O acordo de 2010 que permitiu à Petrobrás explorar, sem licitação, 5 bilhões de barris no pré-sal foi feito para capitalizar a empresa. Em troca, a estatal pagou à União R$ 74,8 bilhões. Nos anos seguintes, porém, a cotação do barril de petróleo caiu muito. Por causa disso, a Petrobrás alega que pagou à União um valor muito alto no acordo de 2010, e quer ser ressarcida. Por outro lado, há nessas áreas muito mais do que os 5 bilhões de barris que o contrato garantiu à estatal. E o governo pretende leiloar esse excedente, o que poderia render até R$ 100 bilhões aos cofres da União.

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Conversas. Nesta quarta-feira, houve nova rodada de negociações. Segundo fontes do governo ouvidas pelo Estadão/Broadcast, apesar de o prazo terminar nesta quinta, 16, é possível que o relatório da comissão não seja concluído. Não há ainda definição dos valores a serem quitados entre as partes.

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O grupo é composto por representantes da Petrobrás, do Tribunal de Contas da União e dos Ministérios da Fazenda e de Minas e Energia, entre outros. Há uma expectativa de evolução nas conversas, mas não foi desenhada uma estratégia caso o impasse permaneça.

Uma das preocupações centrais do TCU é de que fique garantida a legalidade de cada etapa da operação. Uma possibilidade que está em negociação é o pagamento em óleo dos valores devidos na revisão do contrato, embora a lei hoje só permita o pagamento em títulos públicos ou dinheiro. O governo terá de mudar a lei se quiser pagar em óleo – uma operação que é vista com ressalvas por técnicos da área econômica, uma vez que os recursos passariam “por fora” do Orçamento da União.

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Há uma preocupação sobre a possibilidade de a medida ser interpretada como uma manobra de contabilidade criativa, nos moldes que foi feito pelo Tesouro na época da capitalização da Petrobrás, há oito anos.

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