Revisão do investimento deixa País mais longe do PIB de 5%

A revisão para baixo das taxas de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo sobre o PIB) - que em 2005 caiu de 19,9% para 16,3% , junto com a nova série anual do Produto Interno Bruto (PIB) revela que a economia brasileira está mais longe de alcançar um crescimento sustentável. Segundo o professor do departamento de economia da PUC-SP Antônio Correa de Lacerda, o PIB tem crescido pelo lado do consumo e não do investimento."Isso demonstra que a conquista do crescimento sustentável da economia é maior do que se imagina", disse Lacerda, acrescentando para que o Brasil atinja um crescimento de 5% do PIB é preciso elevar a formação bruta de capital fixo para 25%. "Essa revisão nos deixa mais distante dessa meta", afirma.Para o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima, a impressão positiva da revisão do PIB, que apontou alta generalizada nos últimos anos, é revertida pela queda da taxa de investimentos. Ele afirma que a combinação de PIB mais alto e investimento mais baixo é preocupante. "Para nós crescermos de forma sustentada, a uma taxa de 3,5%, projetada para 2007, uma taxa de investimento de 16% é insuficiente."Lima ressalta que a redução nos investimentos provoca uma pressão estrutural sobre a balança comercial. "Se o País tiver uma baixa taxa de investimento pode até garantir o crescimento no curto prazo, mas vai demandar mais importação, porque a economia não produz tanto quanto é demandado."Para que o País cresça 3,5% no longo prazo, na avaliação de Lima, é preciso investimentos de cerca de 22,5% do PIB. "Nós estamos vendo que isso não está acontecendo. E com a nova a nova metodologia isto está ainda mais longe."Ele ressalta que a falta de investimentos acaba levando a uma ampliação das importações, que impacta diretamente no crescimento. Em 2006, ainda com a metodologia antiga, o setor externo contribuiu negativamente em 1,7% para a formação do PIB. "Se não fosse o setor externo, principalmente pela pressão das importações, o crescimento no ano passado, que foi de 2,9%, seria 4,6%", argumenta. "Com a baixa taxa de investimentos, estamos fadados a ter um crescimento baixo. Porque as importações vão continuar crescendo, para complementar a oferta interna que não está acontecendo."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.