Revisão do MAE é prioridade na reestruturação do setor elétrico

A revisão do preço do Mercado Atacadista de Energia (MAE) será uma das prioridades do grupo de trabalho criado pela Eletrobrás para colaborar com a reestruturação do setor elétrico. Segundo o presidente da estatal, Luiz Pinguelli Rosa, o preço atual da energia no mercado à vista no Brasil, de R$ 4 por megawatt-hora (MWh) é "insuportável"."Esse preço é um espantalho, um desestímulo total ao investidor", afirmou. O preço é definido por um programa chamado Newave, que confere grande peso à capacidade armazenada nas hidrelétricas brasileiras. Em tempos de racionamento, chegou a R$ 684 por MWh. Agora, com excedente de energia, caiu para R$ 4. Este valor remunera a energia comprada pelas distribuidoras fora dos contratos de longo prazo.O baixo preço desestimula investimentos em térmicas e vêm causando prejuízos em geradoras estatais, diz Pinguelli. A Eletronuclear, por exemplo, vende parte de sua energia por este preço. "Só o combustível me custa R$ 10 por MWh, mas tenho que vender a R$ 4 por MWh", reclama o presidente da estatal nuclear, Ziele Dutra Thomé Filho.Os dois executivos reuniram-se com os outros presidentes de controladas da Eletrobrás, de Itaipu, Jorge Samek, e com o diretor de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer, para começar a trabalhar nas sugestões que serão levadas ao ministério de Minas e Energia.Pinguelli reafirmou que o equacionamento das finanças das empresas controladas é outra prioridade. Ele afirmou que o grupo Eletrobrás vai contatar um escritório de advocacia para decidir que medidas tomar para cobrar as dívidas que algumas empresas têm com Furnas. Segundo o presidente da geradora, José Pedro Rodrigues Oliveira, três empresas estão inadimplentes com Furnas, com uma dívida total de R$ 483 milhões, que são acrescidos, a cada mês, de R$ 28 milhões."Teremos problemas para fechar o caixa este mês e precisaremos da ajuda da Eletrobrás", disse Oliveira. "A questão da dívida é absoluta prioridade", reforçou Pinguelli. "Não é só o Brasil que tem que pagar suas dívidas com o mercado externo. Uma empresa americana que vem para cá, por exemplo, também tem que honrar seus compromissos", completou o executivo, em uma alusão às empresas estrangeiras que ameaçam abandonar suas concessões em razão do alto endividamento.A questão do preço da energia foi levantado também pelo presidente de Itaipu, Jorge Samek. Ele disse que o governo estuda a fixação do preço da usina binacional em reais, para ser reajustado uma vez por ano, em mecanismo semelhante ao adotado pela Petrobras para o preço do gás natural. "Quando fôssemos reajustar, incluiríamos na conta toda a variação cambial do período", explicou.

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