Revisão do PIB piora crescimento no 1º mandato de FHC

A revisão dos dados anuais do Produto Interno Bruto (PIB) de 1996 a 2005 elevou o crescimento médio da economia no governo Lula (primeiros três anos) e reduziu a expansão média do primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso.As revisões dos dados divulgados nesta quarta-feira, 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 1996 a 1998, apontam que, no primeiro mandato do governo FHC, as variações do PIB assim ficaram: mantida em 4,2% em 1995 (como não houve revisão em 1994 não foi possível calcular nova variação ante ano anterior); 2,2% em 1996 (ante 2,7% na série antiga); 3,4% em 1997 (ante 3,3%) e variação zero em 1998 (ante 0,1%). Desse modo, a média desse mandato passa de 2,58%, de acordo com a metodologia antiga do PIB, para 2,45% de acordo com a nova série.O segundo mandato de FHC, por sua vez, foi favorecido com a mudança. As revisões dos dados de 1999 (0,8% para 0,3%), 2000 (4,4% para 4,3%), 2001 (mantida em 1,3%) e 2002 (1,9% para 2,7%) elevaram a média de crescimento do PIB no período de 2,1%, segundo os dados anteriores, para 2,15% na nova série.No caso dos três primeiros anos do governo Lula - os dados revisados de 2006 serão apresentados na próxima quarta-feira -, a média de crescimento anual passou de 2,57% para 3,23%. Isso ocorreu por causa das revisões, significativamente para cima, nos resultados de 2003 (0,5% para 1,1%); 2004 (4,9% para 5,7%) e 2005 (2,3% para 2,9%).O cálculo do crescimento médio anual do PIB nos mandatos presidenciais foi feito pela Agência Estado e não pelo IBGE, que apenas apresentou os dados relativos a cada ano. O coordenador de contas nacionais do instituto, Roberto Olinto, alertou que é preciso evitar interpretações políticas em relação a esses dados.Ele fez a ressalva diante da insistência de jornalistas sobre comparações do governo Fernando Henrique Cardoso (cujos PIBs anuais decresceram na maioria com a nova série) e o primeiro mandato do governo Lula até 2005 (que mostrou crescimentos mais fortes no PIB em relação aos anteriormente divulgados).Segundo Olinto, os resultados de 1995 a 1999 são comparáveis aos de 2000 a 2005, mas há alguns detalhes que devem ser levados em consideração. O principal deles é que os dados na nova série foram recalculados com uma nova base de ponderação, relativa a 2000, que elevou bastante, por exemplo, a participação do setor de serviços. "A mudança (na magnitude das revisões) entre os períodos é resultado especialmente da mudança de ponderação", disse Olinto.Além disso, os segmentos do setor financeiro e da administração pública, que passaram a ser medidos com mais eficiência na nova pesquisa, tiveram maior relevância na economia em período mais recente. "O IBGE vai apresentar os dados e não vai fazer comentários históricos", alertou Olinto desde o início. Segundo ele, "a gente não olhou os períodos, a gente fez as contas". Para o coordenador de contas nacionais, "extrapolar o uso desses dados pode ser perigoso".A gerente de contas trimestrais, Rebeca Palis, também afirmou, ao ser solicitada para fazer contas do crescimento médio do PIB nos governos FHC e Lula, que "pode-se comparar (os números), é o melhor que a gente conseguiu fazer, mas não é totalmente comparável em termos políticos".

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