Revista consegue fortalecer ministro e mantê-lo no cargo

Bastidores: Tânia Monteiro

O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h04

Classificado como "descabido" por assessores palacianos, o editorial da revista britânica The Economist trouxe pelo menos um efeito imediato: solidificar, pelo menos por enquanto, a permanência de Guido Mantega no comando do Ministério da Fazenda, apesar das críticas e queixas dos desafetos.

Esse grupo de críticos viram nas declarações da presidente Dilma Rousseff ontem o fim das possibilidades de mudanças na equipe econômica no curto prazo. A presidente, que quinta-feira havia decidido não fazer comentários sobre o editorial da revista - que classificou como "moribundo" o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre -, mudou de ideia ontem, quando viu o destaque dado pela imprensa brasileira às afirmações da publicação britânica.

Internamente, fortalecendo Mantega, a presidente ressaltava que embora o crescimento não tivesse alcançado os níveis desejados ou esperados, a crise não atingiu as áreas mais importantes para o governo que são emprego e o aumento da renda da população.

E a prova disso foram os dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que mostraram que os salários no Brasil têm crescido a um ritmo duas vezes maior que a média mundial durante os anos da crise internacional, apesar de ainda estar distante, em valores absolutos, da renda dos países ricos.

Mas a pressão e a cobrança de vários setores por melhores resultados da economia, liderada por correntes diferentes de pensamento, continuam. Esses interlocutores batem na tecla de que o remédio que está sendo usado, em repetidas doses, para tentar promover o crescimento, já se comprovou ineficiente. Ressaltam ainda que só Mantega e seus auxiliares não enxergam isso e defendem que a presidente Dilma mude os rumos da economia, para tentar resultados melhores.

A tese é que as coisas não vão mudar, os índices econômicos do País não vão melhorar, se não houver uma alteração na condução do barco. E, para isso, consideram que é preciso tirar o atual comandante do navio, que está fazendo com que o barco fique parado.

Até agora, Dilma vem resistindo a essas pressões por não estar convencida da necessidade da mudança.

Com a notícia sobre o editorial da revista britânica, a presidente se viu obrigada a fortalecer Mantega, que caminha para se tornar o mais longevo dos ministros da Fazenda.

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