Reynolds American compra Lorillard por US$ 27,4 bilhões e cria gigante do tabaco

Acordo tenta garantir sobrevivência das duas empresas num setor em declínio

The New York Times, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 18h51

A Reynolds American concordou nesta terça-feira, 15, com a compra de sua concorrente menor, a Lorillard, por US$ 27,4 bilhões, uma fusão que une duas das maiores produtoras de tabaco, apostando numa empresa maior para garantir sua sobrevivência num setor em declínio.

Segundo as condições do acordo, a Reynolds pagará US$ 68,88 em dinheiro e ações para cada ação da Lorillard, e assumirá sua dívida.

Duas outras companhias também estão envolvidas na complexa transação. A Imperial Tobacco Group pagará US$ 7,1 bilhão por várias marcas - como os cigarros Kool, Salem e Winston, e os cigarros eletrônicos Blu - e adquirirá uma antiga fábrica da Lorillard que emprega cerca de 2.900 pessoas em Greensboro, na Carolina do Norte. 

A British American Tobacco, que já é proprietária de 42% da Reynolds, gastará cerca de US$ 4,7 bilhões para comprar ações adicionais a fim de preservar sua porcentagem na propriedade da nova companhia, e contribuir para financiar o acordo.

Queda de consumo. A combinação que há muito vinha sendo esperada, e que levou um ano para ser concluída, mudará a estrutura do setor de tabaco nos Estados Unidos porque as companhias vêm sendo afetadas há dez anos pela queda do consumo de cigarros. A compra da Lorillard tornará a Reynolds uma concorrente mais forte do Altria Group, cuja marca Marlboro sozinha representa cerca da metade do total das vendas de cigarros nos Estados Unidos.

Mais importante é talvez o acordo que também dará à Reynolds a possibilidade de concorrer na área de um dos produtos de maior crescimento do setor, os mentolados. A Lorillard é proprietária da Newport, a marca de mentolados mais vendida, que representa aproximadamente 12% do mercado mundial de cigarros.

A combinação das principais marcas da companhia incluirá também os cigarros Camel, Pall Mall e Natural American Spirit e o tabaco sem fumaça Grizzly. Por outro lado, a venda de algumas marcas para a Imperial, cujos produtos incluem as Gaulouises, a tornará a terceira maior fabricante de cigarros dos EUA. Um negócio que envolveria a Imperial estava sendo considerado há muito tempo importante para convencer as autoridades reguladoras contrárias ao tabagismo a aprovarem a fusão entre Reynolds e Lorillard.

"Esta é uma grande oportunidade para transformar nossos negócios americanos e garantir uma presença importante no maior pool acessível de lucros do mundo", afirmou Alison Cooper, diretor executivo da Imperial Tobacco, em um comunicado.

A Imperial espera absorver grande parte da força de vendas da Lorillard como parte do acordo.

O que surpreende, é que, segundo o acordo, a combinação Reynolds-Lorillard venderá à Imperial o Blu, um dos líderes do florescente mercado de cigarros eletrônicos. A Imperial informou que pretende intensificar o crescimento da marca Blu internacionalmente. A Blu foi lançada na Grã-Bretanha este ano pela Lorillard.

No mês passado, uma subsidiária da Reynolds, a R.J. Reynolds Vapor, anunciou que dará início às vendas no mercado interno de seus próprios cigarros eletrônicos, conhecidos como Vuse. Atualmente, eles são vendidos em cerca de 15 mil lojas.

Como parte do seu investimento, a BAT continuará compartilhando tecnologia com a nova empresa para o desenvolvimento e comercialização de sua próxima geração de produtos de tabaco, como os que produzem vapor.

Susan Cameron, presidente e diretora executiva da Reynolds, disse que o Vuse poderá realmente  "mudar o jogo" no setor de cigarros eletrônicos. Desde que foi lançado no Colorado no ano passado, cresceu a ponto de garantir uma parcela de 17% do mercado de cigarros eletrônicos no estado.

"Esperamos que o Vuse possas continuar concorrendo com o Blu", disse a presidente.

Ela seguirá à frente da nova companhia, enquanto Murray Kessler, o "chairman" da Lorillard, fará parte do novo conselho de direção.

Pelo acordo, os acionistas da Lorillard receberão US$ 50,50 em dinheiro e 0,2909 de uma ação da Reynolds para cada ação da Lorillard. E se tornarão proprietários de cerca de 15% da nova companhia.

Prevê-se ainda que a nova empresa obterá uma economia de US$ 800 milhões em custos anuais. A transação depende da aprovação das autoridades reguladoras e dos acionistas, e deverá ser concluída no primeiro semestre de 2015.

Mais diversificada. A companhia apresentará uma configuração geográfica mais diversificada. A Reynolds registra fortes vendas no Oeste dos EUA, enquanto a Lorillard tem sido mais forte no Leste do país.

As perspectivas para o tabaco tradicional parecem mais sombrias. Embora ainda grandes - juntas Reynolds e Lorillard registraram US$ 13 bilhões de faturamento no ano passado - o número de americanos que fumam caiu consideravelmente nos últimos 50 anos. As estatísticas oficiais mostram que somente 18% dos adultos americanos fumam cigarros, em comparação a 43% em 1965.

Por outro lado, os defensores da saúde conseguiram a aprovação de campanhas mais rigorosas contra o tabagismo e a limitação do fumo em locais públicos.

Um obstáculo em potencial para a Reynolds é a possibilidade de o governo  proibir os mentolados, um dos ramos de maior crescimento do setor. A Food and Drug Administration declarou que considera mais perigoso o sabor acrescentado aos cigarros, e assinalou que poderá adotar maiores restrições às suas vendas.

Tradução de Anna Capovilla

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