Adriano Adrião
Adriano Adrião

Riachuelo começa abertura de lojas Carter's no Brasil em setembro

Varejista fechou contrato de 10 anos de exclusividade com a marca americana de roupas para bebês e crianças

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 16h17

A Riachuelo vai abrir no dia 3 de setembro a primeira loja da Carter's no Brasil. A marca de roupas para bebês e crianças já é conhecida dos brasileiros que viajavam para a Flórida, nos Estados Unidos, e aproveitavam o custo-benefício das peças.

A varejista fechou contrato de 10 anos de exclusividade com a marca americana no País e tem a meta de abrir 60 lojas nesse período. O plano inicial era de 10 lojas ainda em 2020, mas a pandemia desacelerou os lançamentos. Neste ano, serão apenas três. A primeira, no Shopping Ibirapuera, em São Paulo. As outras duas, a partir de outubro, no Shopping Eldorado, também em São Paulo, e no Shopping Botafogo, no Rio de Janeiro.

"Esse mercado (de roupas infantis) representa cerca de R$ 60 bilhões no Brasil e cresce de 6% a 7% ao ano", diz o CEO da Riachuelo, Oswaldo Nunes. Ele acredita que, mesmo com o dólar alto, a marca tem apelo no Brasil e deve expandir os ganhos da empresa.

Segundo o executivo, mesmo num cenário de crise, os produtos da Carter's, que já eram comercializados em lojas da Riachuelo, tiveram crescimento de vendas no segundo trimestre. A empresa não diz de quanto foi a alta, mas Nunes se diz confiante na nova iniciativa. "As crianças vão continuar nascendo e crescendo."

O presidente da Carter's, Brian Lynch, disse em entrevista ao Estadão/Broadcast que a empresa já via oportunidade de negócios com o Brasil em razão das compras dos brasileiros em suas lojas na Flórida e mesmo através do e-commerce da marca, que pode ser acessado daqui. "Começamos um relacionamento com a Riachuelo há cerca de cinco anos. Nossos produtos performaram bem. Então decidimos dar a exclusividade da nossa marca (à Riachuelo) no Brasil", diz.

Ele conta que a crise postergou a abertura de novas lojas da companhia nos Estados Unidos, assim como aconteceu no Brasil, mas que o negócio segue resiliente. "As crianças continuarão nascendo, crescendo e precisando de roupas novas a cada três meses", disse, repetindo seu mantra. Segundo ele, os negócios tiveram uma queda ao redor do mundo durante a pandemia, mas acredita que esse é um dado pontual. "Não paramos nada. Apenas postergamos algumas coisas."

De acordo com dados do balanço da companhia, as vendas internacionais do segundo trimestre caíram 43% em relação ao mesmo período de 2019.

Lynch acredita que as lojas exclusivas da marca são uma grande oportunidade para aumentar a escala de vendas no País e afirma que as parcerias globais com o Wallmart e o Sam's Club não devem atrapalhar o negócio. "A experiência de compra em uma loja dedicada à marca será muito diferente. O mix de produtos será muito maior", afirma.

E-commerce próprio

As novas lojas, segundo a Riachuelo, terão 80 metros quadrado, em média. A varejista ainda promete lançar no primeiro trimestre de 2021 um e-commerce próprio para a Carter's, que será integrado à logística da Riachuelo. Assim, será possível comprar pelo ambiente virtual da Carter's no Brasil e retirar em uma loja da marca brasileira, que tem mais capilaridade.

Enquanto outras varejistas de vestuário planejam reduzir a quantidade de importados, a Riachuelo aposta que o câmbio desfavorável não deve afetar as vendas da marca estrangeira. "O câmbio para comprar nas nossas lojas é o mesmo para comprar na Flórida. E temos conseguido boas negociações para importar os produtos", afirma Flávio Amadeu, diretor executivo comercial da Riachuelo.

Enquanto isso, a companhia trabalha para reverter o prejuízo de R$ 296 milhões do segundo trimestre deste ano.

A Carter's deixa para a varejista brasileira a definição dos preços. "Conhecemos muito bem nosso produto. Eles conhecem muito bem o mercado local", diz Andrew Knight, vice-presidente da parte internacional e de e-commerce da Carter's. A empresa americana faz uso de parcerias similares na América Latina e na Europa. A ideia é associar-se a grandes varejistas que conheçam melhor o consumidor local para avançar internacionalmente.

A Carter's tem mais de 600 lojas próprias nos Estados Unidos, além de estar presente em outros 90 países, dos quais em 55 com lojas Carter's, OshKosh B'Gosh ou SkipHop, outras marcas do grupo.

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