Ricardo Eletro e Insinuante se unem e já falam em novas fusões para crescer

Ricardo Eletro e Insinuante se unem e já falam em novas fusões para crescer

Empresa, que passa a ser a segunda maior do País em eletroeletrônicos e móveis, planeja entrar em São Paulo no ano que vem

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2010 | 00h00

A segunda maior rede varejista de móveis e eletroeletrônicos do País, resultado da união da baiana Insinuante com a mineira Ricardo Eletro, anunciada ontem, nasce com faturamento de R$ 5 bilhões, 528 lojas e já cogita novas associações para atingir as metas agressivas de crescimento. Em quatro anos, a nova empresa quer dobrar de tamanho, tanto em vendas como em número de lojas, e quer estrear em São Paulo em 2011.

"A abertura de capital não está sendo cogitada neste momento. Queremos aproveitar as sinergias e estamos muito abertos a fusões, que é forma de crescimento que não depende tanto de capital externo", disse Luiz Carlos Batista, da Insinuante. Ele será o presidente do Conselho Executivo da holding que une os dois grupos.

Batista frisou que a nova empresa, cuja holding se chamará Máquina de Vendas e na qual Insinuante e a Ricardo Eletro terão participações igualitárias, inicia as operações sem dívidas e com reserva de caixa.

Entre os recursos que a nova empresa vai dispor está uma sinergia avaliada em R$ 150 milhões, o crescimento acelerado das vendas pela internet, que devem render uma receita de R$ 250 milhões, e cerca de R$ 400 milhões provenientes de contratos de exclusividade de financiamento com instituições financeiras, para bancar as vendas a prazo que estão expirando.

Para este ano, o foco da expansão será o Rio de Janeiro, onde a rede pretende abrir 30 lojas, com investimentos de R$ 50 milhões. As outras 20 inaugurações de 2010 estão previstas para as praças nas quais as duas redes já atuam. Hoje, a nova empresa tem 70 lojas no Rio com a bandeira Insinuante. O plano é mudar a bandeira dessas lojas para Ricardo Eletro, que é a marca mais forte no Sudeste.

Ricardo Nunes, fundador da Ricardo Eletro, que será o presidente da nova empresa, ressaltou que não serão fechadas lojas. "Há uma sobreposição de 5% das lojas", disse o executivo. A intenção é manter as duas bandeiras, sendo que a Insinuante será a marca para o Norte e Nordeste e a Ricardo Eletro para o Sudeste e Centro-Oeste.

Assim como as lojas físicas, os dois sites de vendas pela internet serão mantidos em separado para o consumidor, mas com operações conjuntas na compra de mercadorias. O site está sediado em São Paulo. A meta da empresa é abrir lojas físicas em São Paulo dentro de um ano a um ano e meio. "Vamos entrar em São Paulo com modelo diferente do convencional", disse Nunes.

Sigilo. O anúncio da nova companhia foi marcado por um tom emocional da trajetória dos dois empreendedores, mas não foram revelados os detalhes sobre o capital social e as cifras envolvidas no negócio. "Ganhei um irmão", disse Batista, de 45 anos, ao se referir a Ricardo Nunes, de 40 anos. Batista começou com um pequeno comércio na Baixa do Sapateiro, em Salvador (BA). Nunes contou que vendia mexerica no farol de trânsito, em Divinópolis (MG).

A iniciativa do negócio partiu de Nunes, que procurou Batista para conversar. Os entendimentos demoraram cerca de três meses. Nunes contou que começou a preparar os números da sua empresa para o mercado dois anos e meio atrás, quando trouxe uma diretora financeira para companhia. "Até então, eu não sabia que bicho era esse de Ebtida." Para dar sustentação ao acordo, as duas empresas foram auditadas pela PricewaterhouseCoopers.

Tendência. A união entre empresas do varejo de eletroeletrônicos e móveis aparece como uma tendência, depois que o Grupo Pão de Açúcar comprou o Ponto Frio na metade do ano passado e, na sequência, se uniu às Casas Bahia.

"Estamos nos unindo para sobreviver", comentou Batista, ponderando, em seguida, que não sentiu retração nas vendas em razão da formação da megacompanhia que reúne Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro.

Analistas de mercado observam que a empresa mais atingida pelo negócio anunciado ontem é o Magazine Luiza, que não conseguiu comprar o Ponto Frio, e que agora ficou praticamente sem opções de buscar uma união ou aquisição de concorrente de médio porte.

Luiza Helena Trajano Rodrigues, presidente do Magazine Luiza, discorda da análise. Disse que há espaço para crescer abrindo lojas e que planeja mais 30 em São Paulo em 2010. Além disso, a estratégia da empresa é comprar redes menores, disse.

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