Wilton Junior/Estadão
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Ricardo K deixa antiga OGX e Eike negocia com Tanure

Por divergências, consultoria responsável pela reestruturação sai da petroleira; ao mesmo tempo, Eike tenta fusão com a rival HRT

MARIANA DURÃO , MARIANA SALLOWICZ , MÔNICA CIARELLI , O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2015 | 02h04

Divergências intransponíveis com a administração da OGPar, ex-OGX, culminaram com a saída do consultor Ricardo Knoepfelmacher, da Angra Partners, da reestruturação da petroleira. A gota d'água para K, como é conhecido no mercado, foi uma ação judicial proposta pela OGX contra a empresa irmã OSX, no apagar das luzes de 2014. À frente também da recuperação do estaleiro, a Angra se opôs à medida de força endossada pela diretoria da empresa de petróleo.

Ao mesmo tempo, Eike Batista tem sido sondado por Nelson Tanure, principal acionista da HRT, sobre uma potencial fusão entre as duas petroleiras. O fundador do grupo X estaria seduzido pela possibilidade de chegar a um acordo e se manter no mundo dos negócios. As conversas envolvem um dos empresários mais ricos da Nigéria, apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Em 22 de dezembro, a OGPar conseguiu uma liminar para reduzir o valor do aluguel diário pago pela petroleira pelo uso da plataforma OSX-3, instalada no campo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. Com a decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio, o montante passou de US$ 250 mil por dia para US$ 130 mil por dia. A alegação da petroleira para a mudança do valor é de que desde a última renegociação, divulgada em setembro de 2014, o preço do barril do petróleo Brent caiu de US$ 97,11 para US$ 61,06, em 15 de dezembro.

Segundo uma fonte, a visão da Angra é que a medida judicial joga por terra um ano de negociações e a credibilidade conquistada junto aos credores que financiaram a construção da OSX-3. Após uma verdadeira queda de braço, a Angra Partners havia conseguido renegociar, no ano passado, o valor da diária dos US$ 439 mil contratados para US$ 250 mil.

Além disso, o que se diz nos bastidores é que mesmo com a redução, o valor do aluguel ainda é muito elevado para a petroleira. Com a queda do preço internacional do barril de petróleo, o custo de produção da OGX hoje estaria acima de seus ganhos. K se opôs à ação e a relação com a diretoria - em especial com o presidente, Paulo Narcélio, indicado por ele - ficou estremecida. "A empresa precisa passar por uma nova reestruturação, pode quebrar de novo e a administração não quer tomar as atitudes que precisam ser tomadas", disse uma fonte.

Briga. De acordo com outra fonte, conselho de administração da OGPar se reuniu na quarta-feira e decidiu sacramentar o fim da parceria com a gestora de crise Angra Partners, contratada em agosto de 2013 pela companhia. Procurada, a OGPar não se manifestou. Knoepfelmacher continua como consultor da OSX e da mineradora MMX.

Segundo pessoas próximas aos dois lados, um dos motivos para o fim do acordo entre OGPar e Angra é o entendimento de que a petroleira já está com o processo de recuperação judicial encaminhado, após a aprovação pelos credores no ano passado, e de que a assessoria financeira, que atuou ativamente entre 2013 e 2014, já teria feito a sua parte.

"Foi uma opção do conselho entre o executivo, que toca a empresa, e o assessor financeiro. São visões distintas, que não daria para conciliar. O conselho colocou na balança e entendeu que nesse momento essa seria a melhor escolha", disse uma fonte. Eike Batista continua sendo o presidente do conselho da OGPar, o que sinaliza que pode ter havido um desgaste também com o empresário.

A Angra Partners teria preferido deixar a OGPar tendo em seu currículo a aprovação da recuperação judicial e a conversão de R$ 13,8 bilhões em dívidas da empresa em participação acionária. Com a medida, Eike continua dono de 47% da companhia por participação direta e indireta (via OSX). O próximo passo previsto é converter US$ 215 milhões em novos recursos injetados pelos principais credores em ações, o que reduziria a fatia do empresário a 5%.

No entanto, com o preço do petróleo em queda - reduzindo o valor da empresa no mercado - cresce a perspectiva de que os detentores dessa dívida optem por não realizar essa conversão e manter o débito até que a situação do setor melhore.

Diante disso, a movimentação de Tanure pode se tornar uma saída para a OGPar. A análise de especialistas do setor é que o negócio traria sinergias interessantes, já que os campos de Polvo, da HRT, e de Tubarão Martelo, da OGX, são vizinhos .

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