Ricardo Mansur volta ao mercado com aquisição de usina em SP

Empresário concretiza primeiro grande negócio 10 anos depois de ser preso acusado de crime contra o sistema

Gustavo Porto, da Agência Estado,

07 de agosto de 2009 | 16h24

Afundada em dívidas estimadas em R$ 250 milhões com bancos, fundos de investimentos e fornecedores, sem estoques de açúcar e álcool e ainda com parte da produção futura confiscada judicialmente por alguns credores, a Central Energética Ribeirão Preto (CERP), foi adquirida pelo empresário Ricardo Mansur. Ao concretizar seu primeiro grande negócio, após as falências das lojas de departamentos Mesbla e Mappin e do banco Crefisul, e dez anos de depois de ser preso acusado de crime contra o sistema financeiro, Mansur optou pelo silêncio.

 

"É o momento que está recomeçando as coisas na vida dele, foi o primeiro negócio que fez depois de todas as coisas que aconteceram e ele prefere não falar nada. Ele está otimista, empolgado, feliz por ter feito o negócio, mas ele não quer se manifestar, até em função de não ter muita falação", disse o também empresário Ricardo Mansur Filho, o Rico, que intermediou um contato da Agência Estado com seu pai.

 

A usina, que mudou de nome ao ser arrendada em 2004 por um grupo de investidores, volta a ser chamada de Galo Bravo e já tem como diretor de Operações o executivo Gilberto Mascioli Júnior, que em fevereiro deixou o mesmo cargo na Clean Energy Brazil. Mascioli foi procurado em sua consultoria, a Allcana, e a única informação é que ele estava em reuniões na usina e que também não deveria se manifestar.

 

Única usina ainda em operação em Ribeirão Preto, cidade que leva o rótulo de polo nacional sucroalcooleiro, a Galo Bravo está sem operar desde outubro do ano passado, quando encerrou a safra 2008/2009. Há quatro meses não paga salários e, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fabricação de Álcool, Químicas e Farmacêuticas, Pedro Sampaio, o próprio Mansur, em visita ontem à usina, prometeu acertar um mês e pagar o restante quando começar a processar a safra 2009/2010, o que deve ocorrer já na segunda semana de agosto.

 

"Ele (Mansur) nos disse que a intenção é colocar a usina para funcionar e que seria um desafio começar no setor (sucroalcooleiro). Disse ainda que a intenção era renegociar logo os salários dos cerca de 500 funcionários que representamos lá", disse Sampaio.

 

No entanto, várias liminares obtidas na Justiça por credores para o confisco de açúcar e álcool devem impedir que a usina tenha uma receita imediata com a venda da produção desta safra. "Os representantes da CERP venderam antecipadamente, receberam o dinheiro e não entregaram, o que levou credores a obterem liminares na Justiça", disse Carlos Chiappa, advogado de um grupo de credores. "Já na primeira liminar que eu obtive, em outubro de 2008, não consegui retirar produtos, porque não havia estoque", completou.

 

O advogado informou, ainda, que soube da venda da Galo Bravo para Mansur por meio de terceiros e que os credores ainda não foram procurados por representantes do empresário para uma renegociação. A Agência Estado apurou que só a dívida com credores de produtos aos quais a usina recebeu antecipadamente varia de R$ 70 milhões a R$ 80 milhões, de acordo com relato feito pelos administradores da CERP, quando tentavam uma saída para a renegociação do passivo.

 

Boa parte da dívida da usina foi contraída antes de 2004, quando a Galo Bravo era administrada pelo empresário Ademar Balbo. Com um cenário positivo de preços para o açúcar e o álcool, um grupo de investidores arrendou o parque industrial da companhia por 15 anos, mas enfrentou, nos anos seguintes, uma crise do setor, com preços não remuneradores para os dois produtos.

 

Na safra passada, a CERP moeu 1,23 milhão de toneladas (t) de cana, ante 1,565 milhão de t de capacidade total de moagem declarada. Em 2008/2009, a CERP produziu 82 milhões de litros de álcool e 29,8 mil t de açúcar. Em seu site, a CERP declara ter, além dos funcionários fixos, 1.558 empregados na área agrícola, que normalmente são contratados apenas para a colheita da safra.

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