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Ricardo Mansur volta ao mercado com compra de usina

Ex-dono do Mappin e da Mesbla, com dívida bilionária, leva a Cerp, de Ribeirão Preto

Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

O empresário Ricardo Mansur, ex-dono das falidas redes varejistas Mesbla e Mappin e do banco Crefisul, liquidado pelo Banco Central, está de volta aos negócios. Sua nova investida é no setor de açúcar e álcool, com a compra da Central Energética Ribeirão Preto (Cerp), antiga Usina Galo Bravo, que volta agora a ser chamada pelo nome original. A empresa, afundada em dívidas estimadas em R$ 250 milhões com bancos, fundos de investimentos e fornecedores, foi paga com recursos do próprio Mansur, segundo o diretor operacional da usina, Gilberto Mascioli. "Ele assumiu a dívida e pagou em dinheiro o resto", diz o executivo, escolhido por Mansur para administrar a Galo Bravo, que teve parte da produção futura confiscada judicialmente por credores. Mascioli não revelou valores do negócio.Ao concretizar seu primeiro grande negócio após as falências das suas redes varejistas e do banco - e dez anos de depois de ser preso acusado de crime contra o sistema financeiro -, Mansur optou pelo silêncio. "É o momento em que está recomeçando as coisas na vida dele, foi o primeiro negócio que fez depois de todas as coisas que aconteceram, e ele prefere não falar nada. Ele está otimista, empolgado, feliz por ter feito o negócio, mas ele não quer se manifestar", disse o filho do empresário, Ricardo Mansur Filho.Mansur tem uma dívida bilionária, decorrente de passivos do processo de falência, em 1999, do Mappin e da Mesbla. Em abril deste ano, o empresário foi multado em R$ 100 mil pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por infrações contra o mercado. Mas ele toca uma ação também bilionária contra o Bradesco, na qual acusa o banco de provocar a quebra de suas empresas, ao cortar subitamente as linhas de crédito. O empresário, que ainda é dono da marca Mesbla, também já disse que estuda voltar a ter operações no varejo. DÍVIDASÚnica usina ainda em operação em Ribeirão Preto, cidade que leva o rótulo de polo nacional sucroalcooleiro, a Galo Bravo está sem operar desde outubro passado, quando encerrou a safra 2008/2009. Há quatro meses não paga salários e, de acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Fabricação de Álcool, Químicas e Farmacêuticas, Pedro Sampaio, o próprio Mansur, em visita à usina, prometeu acertar um mês e pagar o restante quando começar a processar a safra 2009/2010."Ele nos disse que a intenção é colocar a usina para funcionar e que seria um desafio começar no setor (sucroalcooleiro). Disse ainda que a intenção era renegociar os salários dos cerca de 500 funcionários que representamos lá", disse Sampaio.No entanto, várias liminares obtidas na Justiça por credores para o confisco de açúcar e álcool devem impedir que a usina tenha uma receita imediata com a venda da produção desta safra. "Os representantes da Cerp venderam antecipadamente, receberam o dinheiro e não entregaram, o que levou credores a obterem liminares na Justiça", disse Carlos Chiappa, advogado de um grupo de credores. O advogado informou, ainda, que soube da venda da Galo Bravo para Mansur por meio de terceiros, e que os credores ainda não foram procurados por representantes do empresário para uma renegociação. Só a dívida com credores de produtos aos quais a usina recebeu antecipadamente, varia de R$ 70 milhões a R$ 80 milhões, segundo relato feito pelos administradores da empresa.O diretor operacional Mascioli informou que o primeiro mês dos quatro de atraso de salários da empresa foi pago ontem e que Mansur tem projetos de fazer "muitas outras aquisições" na sua investida no setor sucroalcooleiro. "Ele está formando um time sensacional e logo teremos aquisições."Sobre as dívidas, Mascioli, que está no setor há 32 anos, afirma que todos serão chamados para renegociação. "Os recursos são dele, que conta com minha administração para sanear o faturamento e todas as dívidas da Galo Bravo", disse. A usina começa a moer a safra 2009/2010 de cana-de-açúcar no dia 17. Devem ser processadas 1,2 milhão de toneladas, o mesmo que na safra anterior, e 70% da matéria-prima irá para a produção de açúcar.

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