coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Ricardo Sérgio é testemunha chave no processo dos grampos

Ricardo Sérgio de Oliveira é testemunha chave do processo da 2ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro que investiga o grampo clandestino de conversas telefônicas no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O grampo colocou suspeitas de irregularidades no processo de privatização das companhias de telecomunicações do sistema Telebrás, em 1998.A denúncia de suposta improbidade administrativa na privatização das teles é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) em ação civil pública que corre na 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro, desde 1998.Ricardo Sérgio é o autor da frase que celebrizou os grampos: ?Estamos no limite da nossa irresponsabilidade?, disse ele em conversa telefônica com o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Ricardo Sérgio foi acusado de participar de um esquema de manipulação dos leilões das teles, favorecendo a Telemar na compra da Tele Norte Leste, que atua do Rio de Janeiro ao Amazonas.De acordo com as denúncias, o ex-diretor do Banco do Brasil teria direcionado a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do banco, a investir na Telemar. Em março do ano passado, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), reaqueceu as denúncias. Ele disse que Oliveira havia recebido uma comissão de R$ 90 milhões para orientar os investimentos da Previ para a Telemar.Em seu depoimento à Justiça, em março deste ano, em São Paulo, Ricardo Sérgio admitiu ter dito a frase, mas negou que ela tivesse a conotação que lhe foi dada pela imprensa na época. ?Eu disse que estávamos no limite daquilo que poderíamos fazer, no limite dos valores que poderíamos avalizar?, argumentou ele.Para Oliveira, a participação do Banco do Brasil e do BNDES nos bastidores da privatização foi ?erroneamente entendida? como um processo de manipulação. ?O Banco do Brasil tinha interesse em dar apoio aos seus clientes interessados em participar dos leilões. E as empresas públicas tinham interesse em incentivar a competição?, argumentou ele. Oliveira admitiu que a frase foi o pivô de seu afastamento do Banco do Brasil. ?Acabou como uma frase de efeito que custou minha participação no governo. Mas foi só isso?, afirmou ele.

Agencia Estado,

04 de maio de 2002 | 15h26

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.