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Rico gasta 10 vezes mais que pobre no Brasil

Pesquisa do IBGE aponta o Nordeste como a região mais desigual do País

Nilson Brandão Junior e Adriana Chiarini, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Os ricos gastam dez vezes mais que os mais pobres no País. A conclusão é da pesquisa ''''Perfil das Despesas no Brasil'''', divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que as famílias mais abastadas, que representam 10% da população, têm despesas médias por mês de R$ 1,8 mil por pessoa, enquanto os 40% mais pobres gastam apenas R$ 180.Com base nesses números, um cálculo mostra que as 17,8 milhões de pessoas dessas famílias mais ricas gastam R$ 388,5 bilhões por ano, bem acima dos R$ 145,3 bilhões dos 67,5 milhões mais pobres. Na faixa mais rica, estão as famílias com renda do conjunto de seus integrantes igual ou maior que R$ 3.875,78, enquanto os 40% mais pobres têm renda média mensal de até R$ 758,25.''''Os dados refletem a desigualdade brasileira'''', diz o analista do IBGE José Mauro de Freitas Junior. O Perfil das Despesas foi feito com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002/2003. Nos últimos anos, entretanto, pesquisas mais recentes já constataram que a desigualdade de renda recuou e isso deverá, também, reduzir a desigualdade de despesas. Embora não sejam iguais, as desigualdades de renda e de gastos andam praticamente juntas.Em algumas regiões do País, a desigualdade nas despesas é ainda maior. No Nordeste, por exemplo, os mais ricos têm gastos per capita 11,8 vezes maior do que os mais pobres. Aqui, o destaque é Alagoas, onde os gastos são 15,6 vezes maiores. Por Estados, a menor distância entre gastos fica no Amapá (5,3 vezes), Roraima (6,1) e em Santa Catarina (6,8). São Paulo fica na quarta colocação (7), junto com o Pará.Embora tenha 22% da população total estimada para o País, São Paulo concentra 37% das pessoas do grupo de 10% de famílias mais ricas do País. Por ser um dos Estados menos desiguais, o gasto per capita dos paulistas mais ricos é o 12º no ranking nacional, na casa dos R$ 1.708,92. Já a maior renda per capita dentre os ricos fica no Rio (R$ 2.338,96) - onde os ricos gastam 9,8 vezes as despesas dos mais pobres - e a menor, no Maranhão (R$ 116,18).Segundo a pesquisa, ''''quanto menor a despesa per capita, menor o nível de bem-estar e, por conseguinte, maior o nível de pobreza da população sob estudo''''. O economista da MB Associados Sergio Valle alerta, porém, que o ano de 2002 foi marcado por forte turbulência financeira e inflação alta. Desde então, a renda vem se recuperando, o salário mínimo subiu acima da inflação e houve ganho da renda do trabalho, além de ações como o Bolsa-Família.Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nos últimos dois anos têm mostrado que a concentração da renda diminuiu no País entre 2002 e 2005. ''''Houve uma queda grande. O desafio é o Brasil manter isso por mais 20 ou 30 anos. Eu diria que a desigualdade nos gastos entre os mais pobres e ricos deve ter evoluído na mesma proporção'''', disse ao Estado o pesquisador do Ipea Serguei Soares, citando o mercado de trabalho e programas do governo.O levantamento do IBGE confirma a divisão dos gastos familiares por grandes grupos, divulgada anteriormente pela POF. Habitação, por exemplo, responde pela maior parte das despesas (29%, em média), independentemente de a família ser composta por uma ou mais pessoas. Outros gastos importantes são alimentação (16,9%), transporte (15,1%) e outras despesas correntes (11,2%).Os dados reforçam fatos já conhecidos, sempre em termos de média para o Brasil. As mulheres ganham e, conseqüentemente, gastam menos que os homens. Os brancos têm renda maior que pretos e pardos. Os empregadores e funcionários públicos recebem mais que os trabalhadores do setor privado (considerando os formais e informais). Os cálculos do IBGE também confirmam que quem ganha mais diversifica mais suas despesas.

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