Ricos vão 'congelar' tarifas de importação

Mais de 50 países colocam pressão sobre o que classificam como "comportamento protecionista" do Brasil, além de declararam um congelamento de suas tarifas de importação. Ontem um grupo liderado por Estados Unidos, Austrália e Canadá assumiu o compromisso de não elevar tarifas, como forma de tentar evitar que a recessão ganhe novas proporções.

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2011 | 03h07

Mas a promessa se transformou em um ato de protesto contra o comportamento do Brasil e outros emergentes em elevar tarifas e aplicar políticas protecionistas. Para o governo da Austrália, a proliferação de medidas "vai certamente afetar o crescimento mundial em 2012".

Já o ministro mexicano Bruno de Ferraz se disse "consternado" diante da decisão de países como o Brasil em elevar tarifas. A delegação suíça comparou as políticas restritivas ao fumo. "No primeiro momento, pode dar uma sensação de alívio. Mas no final, mata."

O chanceler brasileiro, Antonio Patriota, rejeitou a cobrança, alertando que outros cem países da entidade não haviam se somado à iniciativa. A principal queixa do Brasil é que os países que anunciaram o congelamento de suas tarifas são aqueles que não tem a possibilidade legal de elevá-las. Declarar um congelamento nas tarifas, portanto, não prevê esforços. No caso do Brasil, o país aplica uma tarifa de 12% em média. Mas, por lei, pode elevá-las a até 35%.

Enquanto os principais mercados emergentes e países ricos continuam se enfrentando na OMC, coube ao diretor da entidade, Pascal Lamy, deixar claro que essas diferenças de posição e essas disputas colocaram o próprio sistema multilateral do comércio hoje em uma "encruzilhada". A Rodada Doha fracassou e, no encontro de Genebra, pela primeira vez isso é dito claramente. "Não podemos nos esconder mais. Ou avançamos num espírito de valores compartilhados ou seremos confrontados com uma retirada do multilateralismo, com prejuízos a nós mesmos", disse Lamy.

Marginalizada, a OMC não consegue atrair para seus encontros nem mais os ministros dos países. Ontem, eram pouco mais de um terço os países que enviaram até Genebra seus ministros. Muitos foram representados apenas por diplomatas. O número de jornalistas credenciados para o evento sequer preenchia uma sala de conferências de imprensa.

No encontro, o único anúncio será a adesão da Rússia, decisão que já foi tomada há várias semanas e que hoje será apenas protocolado. / J.C.

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