Ricupero acha que acordos ficarão para 2006

O secretário-geral da Unctad, embaixador Rubens Ricupero, prevê que as negociações de acordos comerciais entre países ricos e as nações em desenvolvimento só serão concluídas no final de 2006. "Em ano eleitoral é muito difícil", admitiu Ricupero durante entrevista no programa Espaço Aberto, da Globo News. "Há eleições nos Estados Unidos; na Europa também há eleições; tem que aprovar a Constituição; constituir a nova Comissão Européia. Não é um momento propício", prosseguiu. "Mas estou convencido de que, passado este momento político, as negociações vão retomar no ano que vem e, calculo, elas devem terminar provavelmente em fins de 2006."Segundo Rubens Ricupero, a dificuldade acontece, apesar do aumento do comércio mundial nos últimos meses, puxado pelos Estados Unidos e pelos países asiáticos, e de uma certa recuperação dos preços dos chamados "commodities". É que os produtos agrícolas, têxteis e artefatos de couro, que estão no centro das negociações, enfrentam fortes resistências dos lobbies de produtores americanos e europeus. "E isso se aplica à Alca", frisou Ricupero. "Os maiores lobbies são os dos produtores americanos de laranja, algodão e de carnes. "Eu acho que a Alca agora só pode ter um resultado modesto. Mas teria que ser retomada, depois das eleições."Comércio Sul-SulO embaixador voltou a falar sobre o Sistema de Preferências Comerciais entre os países em desenvolvimento. "É uma solução, mas não é uma panacéia", ressalvou o secretário-geral da Unctad. Segundo ele, não se trata de um substituto do comércio com os países ricos, mas de um complemento. Ele lembrou que, de uma forma ou de outra, todos os países dependem do comércio com os Estados Unidos. "No fim da linha está o imenso deficit comercial americano", destacou. "Os EUA são como um imenso buraco negro que puxa todas as importações do mundo." Dez anos do RealAinda durante a entrevista, o ex-ministro da Fazenda fez uma avaliação positiva do Plano Real e aproveitou para provocar os petistas que fizeram uma oposição ferrenha ao plano durante o seu lançamento há dez anos. ?Eu estou convencido de que foi uma mudança histórica no Brasil, porque ninguém acreditava que depois de 35 anos de inflação crônica com inflação o Brasil pudesse perder o vício da inflação", elogiou. "Eu vejo com alegria que o governo atual do PT, que me combateu muito e que não compreendia o valor da estabilidade, hoje compreendeu. Foi um grande momento."

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