Ricúpero alerta para impacto da alta do petróleo na inflação

A alta do preço internacional do petróleo veio para ficar. Essa é a avaliação do ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricúpero, atualmente secretário-geral da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Uctad). Em entrevista à Agência Estado, o ex-ministro aponta que o aumento no valor da commodity terá um impacto negativo para o Brasil e poderá pressionar a inflação no País. "A alta (do petróleo) terá um impacto nas contas brasileiras, como por exemplo na balança comercial. Além disso, com o custo do produto subindo, a tendência é de que a inflação seja pressionada", afirma Ricúpero, que se prepara para deixar o cargo na ONU nos próximos meses. Para ele, o aumento nos preços do petróleo não estão relacionados apenas com as crises políticas no Oriente Médio ou com as decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). "O mundo está chegando ao pico da produção desse recurso natural e a alta nos preços deve ser entendida como algo estrutural", afirma. Para o brasileiro, o impacto das mudanças de preço do petróleo no cenário internacional também será negativo e deverá gerar inflação em outros mercados. "Com isso, poderemos ver também um aumento das taxas de juros internacionais", avalia o ex-ministro, que prevê também uma queda no rítmo do crescimento do PIB mundial. "A conjuntura internacional é uma preocupação para o Brasil e seus planos de desenvolvimento", reconhece Ricúpero, que defende o fortalecimento de programas nacionais alternativos, com o de geração de álcool como combustível. A ONU pretende debater esses assuntos em dois eventos que organiza no Brasil no próximo mês. O primeiro ocorre no Rio de Janeiro, na primeira quinzena de junho, e terá como objetivo debater o futuro do mercado de gás natural e petróleo na América Latina. Outro é a "Feira de Tecnologias do Futuro", que ocorrerá paralelamente à reunião da Unctad, em São Paulo, entre os dias 13 e 16 de junho.

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