Ricupero cobra retomada de redução das taxas de juros

O ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, hoje secretário geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), acredita que não há mais razão para deixar de retomar a seqüência de reduções graduais da principal taxa de juros do País, a Selic. "Acredito, e desta vez não falo como secretário geral da Unctad, mas como cidadão comum, que, na questão dos juros, temos condições hoje para cogitar uma redução mais acentuada (daquela que vinha sendo feita)", disse o embaixador, que se encontra em São Paulo com uma agenda carregada e ainda deve ir a Brasília antes de voltar a Genebra, na sexta-feira. Em rápida conversa com a Agência Estado, o embaixador lembrou que, os últimos dados (sobre a inflação) mostram que o temor que havia em relação a isso estão se dissipando. "Aquele temor (do Banco Central e do Copom), que era prudente e razoável e que imperou nos meses de janeiro e fevereiro, hoje está se dissipando, sobretudo com os dados recentes", reafirmou Ricupero, ainda comentando sobre o assunto como "cidadão comum", segundo ele. Portanto, acrescentou ele, "creio que não há mais razão para deixar de retomar aquela seqüência de reduções graduais". Ele disse acreditar que essa situação deve estar nas próprias cogitações das autoridades econômicas do País. "Tenho certeza que, sobretudo, o ministro Antônio Palocci, já terá feito essa reflexão e já estará, seguramente, registrando esses indícios favoráveis." Crescimento O embaixador, e desta vez falando como secretário geral da Unctad, disse não ter dúvida sobre a retomada do crescimento econômico do País. "Há muito tempo, o Brasil não tinha reunido tantas condições propícias para a retomada do crescimento. Não me lembro quando foi o último ano que o Brasil teve inflação em declínio, uma situação de saldo primário favorável, resultado expressivo na balança comercial e, inclusive, com pequeno saldo positivo nas contas correntes no ano passado", afirmou o embaixador. Para ele, o Brasil mostrou uma ou outra dessas condições alguma vez, mas nunca as quatro juntas e favoráveis no curso dos últimos 40 ou 50 anos, se é que houve mesmo essa coincidência. "Então, as condições são muito propícias e temos de somar a isso a retomada do crescimento mundial com uma expansão muito rigorosa do comércio", acrescentou. De acordo com ele, as exportações e importações mundiais no ano passado cresceram 4,7% em volume. "A Unctad estima que, este ano, o comércio mundial venha a crescer entre 7% e 8,5%, embora o Banco Mundial tenha estimativas mais otimistas". Portanto, acrescentou, "a combinação de todos esse fatores, creio eu, levará a um crescimento bastante apreciado este ano e, nos anos futuros, a continuação disso vai depender sobretudo na elevação do nível de investimentos que ainda está muito baixo no Brasil". Segundo ele, no ano passado, foi de menos de 18% do PIB, e o Brasil precisa chegar, de novo, como em alguns anos do passado, a um patamar de 24%, 25% ou 26%. "Acredito que, para isso, estamos viabilizando as condições. Não tenho dúvida nenhuma de que o Brasil vai voltar a crescer e, ao meu ver, as condições atuais são muito propícias e, se as condições mundiais persistirem como atualmente, acho que isso nos dá um bom horizonte no futuro imediato."

Agencia Estado,

10 Março 2004 | 10h16

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