Juros

E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Rigidez da inflação ''segura'' projeções

Apenas agora previsões do mercado para o IPCA do ano começam a ceder

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

Bem piores do que o esperado, o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre de 2008 e a produção industrial de janeiro deste ano levaram muitos analistas a rever para baixo suas estimativas para a atividade econômica, a taxa de juros e a inflação. Do ponto de vista do Banco Central (BC), as previsões para os índices de preços são as mais importantes porque são levadas em conta na hora em que se define a taxa Selic (taxa básica de juros).A demora do mercado em baixar as projeções foi um dos fatores usados pelo BC para justificar a cautela nas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) de dezembro (quando manteve a Selic em 13,75%) e janeiro (quando a cortou em um ponto porcentual). O mais recente relatório Focus, pesquisa do BC com analistas de bancos e consultorias, prevê um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,57% em 2009 (ante 4,66% do anterior). O IPCA serve de referência para a meta de inflação, de 4,5% no ano, com margem de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima. O próximo Focus, que sai segunda-feira, deve mostrar uma projeção de IPCA próxima - ou até mais baixa - da meta. Analistas de mercado explicam que a demora para a redução das expectativas para o IPCA se deve a algumas características da inflação no País. "Um terço dos índices ao consumidor no Brasil está atrelado à evolução dos preços administrados (como tarifas de energia e telecomunicações), o que dá uma inércia à inflação", explica o economista-chefe do Banco WestLB, Roberto Padovani. "Essa característica faz com que os índices subam e caiam mais devagar aqui do que no resto do mundo." Padovani projeta um IPCA de 4% para 2009. O economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, prevê um IPCA entre 4,5% e 4,6% para o ano. Mesmo assim, avalia que há condições para mais cortes da Selic nos próximos meses. "O juro aqui é muito alto e há espaço para estímulo monetário, o que evitará uma queda ainda mais profunda da economia", diz. Ele reconhece que a inflação ao consumidor no Brasil tem uma "rigidez" que, em alguns momentos, é preocupante. Mas hoje acredita que o risco inflacionário é baixo. Economistas que há duas semanas participaram de reuniões com integrantes do Copom relataram que o BC alertou para o descompasso entre as expectativas de inflação e de crescimento econômico. O mercado, segundo o BC, reduziu muito as projeções para o PIB, mas as de preços ficaram estáveis. "O mercado já errou para cima e também para baixo nos últimos meses", observa o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. "Agora, depois de ajustar os modelos, vai calibrar melhor."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.