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Rigor ambiental na China eleva preço de defensivo

Fábricas estão sendo fechadas por não cumprir a legislação sobre tratamento de resíduos

O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2017 | 07h03

O produtor brasileiro está pagando mais pelos defensivos e novos reajustes de preços são esperados para 2018, conta à coluna o presidente da Adama Brasil, Rodrigo Gutierrez. A alta reflete a menor oferta de produtos pela China, principal fornecedor mundial de matérias-primas para o segmento. Por causa de acordos ambientais firmados nos últimos anos pelo país asiático, o governo local está sendo rigoroso na fiscalização. Fábricas estão sendo fechadas por não cumprir a legislação sobre tratamento de resíduos. Com isso, até setembro, a capacidade de produção de ingredientes ativos para defensivos foi reduzida à metade, segundo a filial chinesa da Adama. O herbicida glifosato, utilizado em lavouras de soja, milho e algodão, só neste ano subiu 25%.

Vem mais. Em 2018, outros produtos terão reajuste, numa alta média de 30%, estima Gutierrez. "O agricultor precisa se planejar para a safra 2018/2019; alguns herbicidas e inseticidas podem até faltar." Para o vice-presidente de Proteção de Cultivos da Basf para a América Latina, Eduardo Leduc, pode ser uma oportunidade para estimular investimentos em produção no Brasil. 

Aposta. O grupo Agroceres investe R$ 12 milhões na modernização e ampliação de sua unidade de beneficiamento de sementes de milho e sorgo em Patos de Minas (MG), que terá o dobro de capacidade, para 1,5 milhão de sacos. A área de sementes da empresa cresceu 30% nos últimos três anos, bem acima dos 5% do mercado, conta o diretor-superintendente de Sementes do grupo, Claudio Prates Zago. O investimento deve ajudar a empresa a crescer 5% no próximo ano.

Vende logo. A cooperativa paranaense Cocamar começará a cobrar pela armazenagem de soja. A medida tem por objetivo evitar que os sojicultores, como fizeram na última safra, segurem a venda à espera de preços mais altos. Assim, se a soja entregue na cooperativa em março de 2018 continuar armazenada mais de um ano depois haverá cobrança. De acordo com o presidente, Luiz Lourenço, a Cocamar movimenta em torno de 3 milhões de toneladas de grãos e tem capacidade para armazenar a metade desse volume. "Então é preciso girar." 

Silo vale ouro. A Cocamar deve fechar a safra 2017/2018 com investimento de R$ 70 milhões em silos e armazéns em Nova Andradina (MS), Maringá (PR), Iepê (SP) e Paraíso do Norte (PR). As obras ampliarão a capacidade de armazenagem de 1,25 milhão para 1,4 milhão de toneladas. A cooperativa espera faturamento de R$ 3,9 bilhões em 2017, 8% acima de 2016.

Global. A Cobb-Vantress integrou seu sistema no Brasil ao utilizado globalmente pela empresa de genética avícola e tem agora uma plataforma para atender a clientes em anos de oferta menor ou de problemas sanitários nos países fornecedores. "Como o Brasil é declarado livre da influenza aviária, em situações de foco da doença no Hemisfério Norte podemos manter o abastecimento aos clientes daquela região", diz Ellen Machado, gerente de Planejamento e Comércio Exterior. A partir do Brasil, vendas são feitas para Filipinas, África do Sul, República Dominicana e Rússia, entre outros.

Casa cheia. A Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), já tem 90% do espaço contratado para 2018. "Nos próximos 40 dias devemos chegar a 100% da área comercializada", comenta o presidente da feira, Francisco Matturro. Ele prevê que a venda de máquinas deve crescer 5% em relação a 2017. O evento será realizado de 30 de abril a 4 de maio.

Na esteira. A Comfrio, especializada em logística para cargas refrigeradas, pagou R$ 2 milhões para assumir o controle de duas unidades de armazenamento de sementes de milho e soja em Mirassol (SP) e Cachoeira Dourada (MG). Evandro Calanca, diretor-presidente da Comfrio, diz que a empresa ampliou o negócio por causa do grande excedente de sementes de milho produzidas para a safrinha 2017, que não absorveu totalmente o insumo. Da receita estimada para 2017, de R$ 400 milhões, um quarto virá do armazenamento de sementes em geral. 

Em alta. Sustentado em boa medida pelos serviços de estocagem de sementes, o faturamento da Comfrio deve crescer 17% este ano. A empresa, que movimenta 30% das sementes de soja e milho comercializadas no Brasil, contará agora com 21 unidades armazenadoras, das quais 9 para sementes.

Voz do campo. Está quase pronto o plano de governo que o agronegócio entregará aos presidenciáveis em 2018, revela o diretor da Esalq-USP, Luiz Gustavo Nussio. O projeto está sendo feito na Cátedra da Esalq, cujo titular é o ex-ministro Roberto Rodrigues. "Todos os grandes pilares estão sendo trabalhados, como agricultura familiar, sistema tributário, financiamento...", enumera Nussio. Um dos principais é fazer o País se orgulhar da agricultura. "O campo não se acha respeitado, mas nós também nos divulgamos mal".

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