Rio-2016, para além de um evento esportivo

Olimpíada reflete o alto nível de apoio mútuo entre China e Brasil

Li Jinzhang, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 05h00

O Rio de Janeiro encerrou com chave de ouro a 31.ª Olimpíada de Verão. Empenhado em organizar da melhor maneira os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna na América do Sul, o Brasil fez de tudo para enfrentar os desafios e correspondeu às expectativas ao entregar para o mundo um evento esportivo maravilhoso à moda do Brasil. Seu sucesso deixará uma profunda marca brasileira na história das Olimpíadas e cria um modelo Brasil para as nações em desenvolvimento que vierem a sediar o mesmo evento. Em nome da Embaixada da China, gostaria de saudar o governo e o povo do Brasil pelos esforços.

Foi uma Olimpíada original e criativa. Na magnífica cerimônia de abertura, os anéis olímpicos formados por árvores, as mudas plantadas pelas delegações e as imagens da Floresta Amazônica projetadas no telão exploraram ao máximo o conceito de Olimpíada verde.

A Rio-2016 também incorporou várias novidades de alta tecnologia: a realidade virtual foi usada numa performance da cerimônia de abertura; o credenciamento dos atletas foi feito em nuvem; as imagens aéreas em tempo real foram utilizadas para a segurança dos Jogos; e, nas provas de tiro, o alvo eletrônico evoluiu para um sistema a laser. Fatos como estes refletiram plenamente a ideia de Olimpíada da inovação.

Foi uma Olimpíada de emoções. Dez mil atletas provenientes de mais de 200 países e regiões competiram sob o espírito de “mais rápido, mais alto, mais forte”, independentemente de sucesso ou fracasso. Estabeleceram novos recordes mundiais e deixaram-nos momentos inesquecíveis. Ficamos encantados com as belezas incorporadas por velocidade, força, perseverança e até imperfeições que fazem parte do próprio esporte.

Esta Olimpíada beneficiará as gerações vindouras. Aproveitando a organização dos Jogos, a Prefeitura do Rio de Janeiro pensou na infraestrutura urbana e no desenvolvimento futuro. A inauguração do BRT e a entrada em operação de linhas novas e reformadas de metrô e de trens urbanos melhoraram a experiência de transporte da população. Parte dos estádios recém-construídos será remodelada para acomodar escolas, além de aprimorar as condições físicas do ensino. A prática constituirá uma nova forma de reutilização de instalações olímpicas. É o legado da Olimpíada do Rio de Janeiro.

A Rio-2016 reflete o alto nível de apoio mútuo entre China e Brasil. O presidente Xi Jinping designou a vice-premiê Liu Yandong como sua representante especial na cerimônia de abertura. A China enviou uma delegação esportiva com mais de 700 integrantes, perdendo só para a Olimpíada de Beijing 2008 em número de atletas e modalidades competidas. Mais de 200 voluntários chineses trabalharam dentro e fora dos estádios e produtos e serviços made in China estavam entre os que garantiram, às vezes despercebidos, o andamento fluído das competições.

A Rio-2016 fixou, também, um novo patamar para os intercâmbios humanísticos entre os dois países. Agências de viagens chinesas lançaram pacotes especiais e registraram um significativo aumento de turistas da China interessados em assistir aos Jogos e conhecer o Brasil. Embora o número absoluto ainda esteja aquém de nossa expectativa, o potencial é promissor. Além disso, à Rio-2016 a imprensa tradicional e também a nova mídia deram grande destaque, cerca de mil jornalistas chineses fizeram uma cobertura abrangente dos Jogos. O público e a imprensa da China tiveram um contato “corpo a corpo” com a Rio-2016 para sentir o otimismo, a alegria e a hospitalidade do povo brasileiro e vivenciar as maravilhas naturais e o colorido charme cultural do Brasil. Sem dúvida, isso vai aprofundar o conhecimento do Brasil pelo povo chinês.

“Com o vento em popa, é momento de zarpar.” Desejamos que o Brasil possa aproveitar esse vento olímpico para desancorar seu desenvolvimento socioeconômico.

*É embaixador da China no Brasil

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