Coluna

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Rio atenua resultado do mercado de trabalho

ANÁLISE: Fernando de Holanda Barbosa Filho*

O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2014 | 02h05

A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de agosto, divulgada ontem pelo IBGE, revela sinais preocupantes. Não é o que se depreende à primeira vista. A taxa de desemprego em agosto atingiu 5%, o menor nível da série histórica para o mês. Houve ainda crescimento do rendimento real acumulado em 12 meses, de 2,7%.

Mas um olhar mais atento indica que parte importante do baixo desemprego e do forte crescimento de renda apresentados na PME é fruto do bom desempenho da economia fluminense. O desemprego na região metropolitana do Rio, de apenas 3%, combina-se com um crescimento de renda real de 6,7% em 12 meses. Assim, os números fluminenses melhoram muito o resultado da PME como um todo (que engloba seis regiões metropolitanas), por causa do elevado peso do Rio de Janeiro, próximo de 25% do universo total da pesquisa. A provável explicação para o comportamento discrepante do Rio são as obras relacionadas à Olimpíada de 2016.

Os resultados da PME com a exclusão do Rio de Janeiro mostram um cenário um pouco menos animador. A taxa de desemprego dessazonalizada (incluindo a região fluminense) cresce de 4,6% em junho para 5 % em agosto, o que não é nada assustador. Sem o Rio, entretanto, a piora é mais substancial, de 5,1% para 5,7%. O rendimento real em 12 meses, sem o Rio, cresce apenas 1,4%, bem menos que os 2,7% citados inicialmente, incluindo a região fluminense.

Em resumo, ainda que o mercado de trabalho doméstico esteja em situação próxima ao pleno emprego, os dados da PME mostram leve tendência à elevação da taxa de desemprego. Mas, quando se exclui o caso excepcional do Rio, a maior elevação da taxa de desemprego, seguida pelo menor ritmo de crescimento do rendimento real, indica uma desaceleração mais acentuada das demais regiões metropolitanas. Esse fato indica que a desaceleração do mercado de trabalho doméstico pode já ter começado. Infelizmente, é um processo que deve se aprofundar nos próximos meses.

* Pesquisador do IBRE/FGV

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